Correio do Minho

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O país que se une à volta da bola

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2014-06-15 às 06h00

Felisbela Lopes Felisbela Lopes

Será difícil um tema subtrair o destaque que amanhã daremos ao futebol. O Portugal-Alemanha, que se jogará amanhã em Salvador da Bahia, será seguido com atenção por milhões de portugueses: dentro e fora do país. Não há, neste momento, nada que nos una mais do que a equipa de todos nós e nada mais que projete o nosso país tão longe do que os nossos jogadores.
Não é propriamente um jogo fácil.

Paulo Bento conhece as expectativas que o país deposita nele e na sua equipa. O exemplo do Espanha/Holanda de sexta-feira comprova que as melhores equipas podem falhar. Até aquelas que ostentam o título de campeão da Europa e do Mundo. Portugal tem um capitão que é reconhecido como o melhor do mundo. Mas os melhores também têm momentos menos bons. Esperamos que amanhã Cristiano Ronaldo e os seus colegas estejam concentradíssimos.

Depois da Alemanha, Portugal terá ainda de ganhar aos EUA e ao Gana. Embora difícil, parece bem possível aspirar a saltar esta fase com êxito. Bem precisamos. A atualidade caseira não tem sido fértil em boas notícias. Por isso, o futebol seria agora uma espécie de compensação mais do que merecida nesta fase dura que atravessamos.

Por aquilo que aqui se escreve, depreende-se que, para lá da competição, as seleções nacionais são uma variável importantíssima para a consolidação da identidade nacional de um país. Que acontecimento traz para o espaço público mais bandeiras nacionais do que um campeonato europeu ou mundial? Que acontecimento nos motiva a cantar o hino de forma tão sentida? Que acontecimento nos enlaça a todos num abraço emocionado? A resposta é óbvia. Acontece que uma competição deste nível tem levantado outras questões: os custos e o clima de insegurança, por exemplo.

É claro que organizar um evento desta dimensão custa dinheiro. Muito dinheiro. Mas também tem um retorno financeiro enorme para o país que o acolhe. O problema está no facto de os organizadores terem sempre uma inclinação suicida por construir de raiz novas infraestruturas. Sempre sobredimensionadas, o que traz custos incomportáveis no pós-festa. Veja-se o caso do Euro 2004 em Portugal. Havia necessidade de construir aqueles estádios em Aveiro e no Algarve?

Não, pois claro. Dos bolsos de todos saíram quantias impensáveis para a respetiva construção e agora as autarquias locais não aguentam a manutenção daqueles espaços. O Brasil acumula casos assim neste Mundial 2014. Veja-se, por exemplo, o caso de Manaus onde ontem jogaram a Itália e a Inglaterra e onde, a 22 de junho, Portugal joga com os EUA. O estádio custou cerca de 300 milhões de euros e, pasme-se, não há ali nenhuma equipa da primeira e segunda divisão. Para piorar tudo, o clima é completamente adverso a competições destas. O jogo de Portugal foi adiado já três horas devido às altas temperaturas e à humidade que aí se registam.

Em clima de pré-campanha eleitoral, Dilma Rousseff optou por não discursar na abertura da Copa do Mundo com medo das vaias. Fez bem. Há um ano, a Presidente do Brasil teve de aguentar essas reações na abertura da Copa das Confederações. Por estes dias, a contestação nas principais cidades brasileiras recrudesceu substancialmente. Os cidadãos brasileiros refutam o dinheiro gasto nos estádios e a falta de investimento, por exemplo, na educação e na saúde. Pode parecer estranho no país do futebol, mas todos nós compreendemos as razões destas musculadas objeções.

É assim, o mundo do futebol. Cheio de emoção a partir das quatro linhas. Com complexas negociações fora de campo. Na hora do jogo todos nós sentimos uma intensa emoção que nos liga uns aos outros, mas quando a partida acaba há que pensar que existe um mundo que rola, nem sempre de forma tão veloz como uma bola de futebol.

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