Correio do Minho

Braga, sábado

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"O parentesco é curricular na política nacional"

O Acampamento do Centenário do CNE

Ideias

2021-02-05 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

As palavras são de Paulo Morais (C.M. 10.1.20) que, ao longo do seu comentário, chega a escrever que se podia “numa ceia de natal, influenciar o destino da Nação” e que quase se poderia “transformar S. Bento num salão de festas de família” . E numa altura em que ainda se fala tanto no currículo que foi para Bruxelas em ordem à representação de Portugal no Eurojust, julga-se de todo oportuno debruçarmo-nos sobre o “parentesco” e as ligações familiares na área da política, recordando-as, e dizendo que até se compreende pois, além de se arranjar lugares e tachos para os mais próximos, em princípio é muito mais seguro trabalhar com pessoas que nos acompanham e nos são familiares, pois assim não haverá lugar a traições. E tudo se trata e se compõe numa conversa e à roda de uma mesa. Mas se é um facto que a lembrança de César, presidente do PS, ainda não foi de todo esquecida e a sua influência e seus exemplos parecem perdurar ao longo do tempo, a realidade é que em relação a quase todos os partidos, tendo em atenção o que vem acontecendo no mundo da política e nas gerações que se seguiram a Abril, há que se evitar tudo quanto possa indiciar meras sucessões “monárquicas” e familiares e todo um esconso nepotismo nos escaninhos da política.

O parentesco e o relacionamento familiar, no natural envolvimento de interesses e de conveniências, afiguram-se-nos como um ponto e um pormenor muito frequente, e a evitar, no desenrolar da nossa vida política atual, onde “a deputada Filipa Roseta (PSD) é filha da presidente da assembleia municipal de Lisboa, que é irmã de Margarida Salema, presidente até há pouco da Entidade de Contas de Partidos”, e por sua vez “cunhada de Guilherme Oliveira Martins, presidente do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos”, sendo ainda de referir “descobrir-se” na mesma família os “ex-ministros Capucho e Pedro Roseta ”. Daí que tenha razão P. Morais em evocar a possibilidade de no seio familiar se poder resolver e decidir hoje muito da nossa vida nacional, seja à mesa, no serão após o jantar ou numa simples conversa “de chinelos nos pés” ou “de robe” ainda vestido, etc.

Aliás, acompanhando-o, impor-se-á evocar que só no PS há a notar certos relacionamentos familiares entre alguns deputados, governantes, ex- governantes e autarcas, referindo-se como exemplo a deputada Catarina Mendes e o irmão Secretário de Estado das Finanças, a Sónia Fertuzinhos e a ministra e enteada Mariana com o seu pai e ex-ministro Vieira da Silva, o também ministro Cabrita e a esposa e ex-ministra Paula Vitorino, a ministra da Agricultura, a deputada Hortense e o autarca de Castelo Branco, para já não se falar no filho do Costa, já autarca, e também nas deputadas e manas Mortágua do BE. E no PSD, que tal recordar aquela figura que já se apresenta como um antigo móvel do parlamento e vem acompanhando desde há anos o Ferro Rodrigues e aqueloutro metido na TAP, e ainda a deputada Quintela e o marido Silva Lopes no C.S. do Ministério Público. Todo um entrecruzar de relações e de famílias que cada vez mais nos levam a pensar que isto da democracia afinal não é mais do que o desbobinar de um aproveitamento de relações de sangue, conhecimentos e amizades, numa “quadratura de um círculo” de competências e de amizades, apenas se esperando que tal não degenere sobretudo em troca de favores, em compromissos e jeitos, dando lugar a um ”monárquico” e especial nepotismo, com os inconvenientes que se adivinham.

Mas tal é a democracia que vamos tendo, muito diferente do prometido em Abril de 1974, sendo de concluir que a própria Constituição, em que tantos “se babam”, é demasiado prolixa em certos pontos e omissa noutros, não impondo nem dispondo em concreto quanto a certas matérias, mormente quanto a pessoas e entidades elegíveis para certos cargos, potenciando e determinando naturais e legítimas exclusões quanto a “excessos” e “lacunas” em personalidade e formação humana, banindo tais elementos de uma eleição, do exercer de um cargo, de uma posição governativa, etc. As pessoas deviam ser escolhidas e eleitas pelas suas qualidades e competências para o cargo a exercer, seu carácter e honestidade, evitando-se situações ridículas e caricatas, e os muitos processos que se sucedem depois ao fim dos mandatos. Tais pontos negativos são de evitar, como o são os ultrajes e as ofensas pessoais, sendo de eliminar as atitudes de certos “cristãos-novos”, que se julgam mais democratas do que outros (ou têm algo a esconder), e desenvolvem sempre “ataques” a determinados candidatos, alienando de todo suas independência, imparcialidade e integridade. O que foi muito visto nestas eleições “pandémicas” de vírus muito contagiosos, e cada vez mais perigosos, mesmo na TV e em certos programas conhecidos.
Por último, regista-se a nomeação para um cargo público de Mamadu Ba, o que falou em “bosta da polícia” em relação a um problema surgido num certo bairro conhecido, pelo menos de Marcelo, entre moradores e PSP. Se calhar atenderam ao seu “currículo”, como no caso dos irmãos Guerra.

PS: As eleições já foram, com os resultados que de certo modo se esperavam, e cada vez há mais partidos do “táxi” e mesmo do “tuc tuc”, com muitos políticos a terem de se reorganizarem, e de “puxarem” pelas suas cabecinhas, já que abundam muitos “cristãos-novos”, com a “democracia” colada a saliva e a tentar esconder certas “borbulhas” de seus passados e seus vis interesses. A vida está difícil, o vírus continua desalmado, e há que conseguir obter qualquer coisa. Que tal falar com o Zé do Café, que se dá bem com o Manuel da Bouça, que por sua vez conhece e andou na escola com o Tiago Luís, que tem um amigo íntimo lá em baixo, com força no “partido” e que se move muito bem nos “ministérios” !?...
É que “as crises não afetam todos da mesma maneira” (Mariana V. Siva, C.M. 27.1.21)

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