Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O poder do boato

O Estado da União

Escreve quem sabe

2014-06-29 às 06h00

Joana Silva

“Quem conta um conto, acrescenta um ponto”, é um dos ditados populares mais conhecidos que numa palavra apenas se poderia traduzir em boato. Entenda-se por boato, uma notícia ou rumor que se baseia em factos distorcidos que não correspondem à verdade e que passam “de boca em boca”.

É um tipo de violência psicológica que pode causar danos, por vezes, irremediáveis na vida de quem é vítima do mesmo. Habitualmente o termo técnico, boato, tende a ser substituído no quotidiano, por calúnia e difamação. Neste sentido, ouvimos expressões como “ Difamou-me no trabalho”, ou, “Espalhou que eu agredi/insultei alguém”. Ora para quem está inocente é na maioria das vezes, difícil lidar com ambivalência de sentimentos, como, a tristeza, a fúria, a desilusão (sobretudo se partirem de pessoas com as quais se tem afinidades) etc.

Frequentemente os pais relevam certos acontecimentos, “Não ligues! Deixa para lá, não precisas deles”, ou “tens a certeza? Não estarás com a mania da perseguição?”, quando os filhos adolescentes chegam a casa e dizem que estão a ser vítimas de mentiras por parte de algum colega. Seria importante que refletissem que se estivessem em igual situação, certamente iriam “ligar” aos factos, e também iriam compreender que todos precisam uns dos outros no processo de socialização, pois nenhum ser humano consegue viver sem amizades.

Do mesmo modo que por vezes, são atribuídas hipóteses causais ao lançamento do boato do género “ E não fizeste nada que contribuísse para a situação?!”. Saiba que na maioria dos casos as “vítimas” estão inocentes, simplesmente “não caíram nas boas graças” de quem as observa, talvez por terem mais visibilidade em termos de popularidade, por exemplo, ou em termos de alguma competência técnica (excelente a matemática), ou de competência verbal (excelente comunicador) entre outros aspetos.

Normalmente as “vitimas” de boatos, sentem vergonha, medo, irritação sendo que destas emoções podem suceder: a baixa auto - estima; dificuldades no convívio social, pois tendem a desconfiar das pessoas; sentem-se frequentemente inseguros; o rendimento escolar tende a diminuir, pois o foco de concentração passa a centrar-se nos colegas, do tipo, “Qual será o boato de hoje? Isto nunca vai terminar?!”; sintomas psicossomáticos que derivam do stresse, tais como dores de cabeça intensas e náuseas em que não estão relacionados com a doença física em si; em casos mais graves podem originar transtornos psicológicos (depressão etc.).

Encontrar o autor do boato é uma tarefa difícil sobretudo quando passou de “boca em boca e de ouvido em ouvido”. Pode-se, no entanto, fazer-se uma outra leitura da realidade. Alguns especialistas que se debruçam sobre o comportamento humano, atrevem-se a dizer que quem lança boatos (basicamente pessoas mal - intencionadas) acerca de determinada pessoa são na verdade, os seus maiores admiradores, vem nas “vítimas” características que gostariam de ter em si.

Os pais devem estar alerta quando os filhos que por norma tem determinado comportamento e de um momento para outro adotam atitudes mais agressivas ou passivas. É um claro sinal que algo não está bem. Conversar com o adolescente é fundamental de um modo assertivo explicando-lhe que a vida é uma contínua aprendizagem e que ao longo desse mesmo caminho encontramos boas e más pessoas que contribuem para o nosso crescimento interior. É neste sentido que os boatos não devem nunca interferir ou causar dano emocional.

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