Correio do Minho

Braga, terça-feira

O preço a pagar

Repensar a Lógica do Livro de Instruções

Ideias Políticas

2016-10-18 às 06h00

Hugo Soares

Com a proposta de Orçamento de Estado para 2017, agora conhecida, o que o Governo socialista está verdadeiramente a apresentar aos Portugueses é uma fatura. Uma fatura acompanhada do recado: “Nós fazemos as asneiras, vocês pagam!” Este Orçamento já só existe porque é o preço a pagar pelo caminho errado que António Costa deliberadamente quis e quer infligir ao País, com a ajuda e a conivência do Bloco de Esquerda e dos comunistas. É absolutamente inacreditável que este seja um Orçamento que nos vai pôr a crescer menos do que em 2015, quando Portugal acabava de sair de um dos mais difíceis períodos da sua história democrática.

E, contudo, é exatamente isso que o Governo das esquerdas está a confessar aos Portugueses com este Orçamento. A confissão do fracasso das suas políticas, das suas opções económicas, dos seus preconceitos ideológicos, em suma, o fracasso da sua existência enquanto solução governativa, já que nada soluciona, antes pelo contrário. O mais grave, porém, é que este é um Governo que vira a cara à realidade e as costas aos problemas. E, por isso, o Orçamento de Estado para 2017 é uma reedição do erro que foi o Orçamento de 2016. Insistindo na estratégia errada. Piorando o que já está mal. Aprofundando o desastre.

Hipocritamente, o PS e os seus parceiros desafiam o Partido Social Democrata a apresentar alternativas. Acontece que os Portugueses sabem muito bem qual o caminho que nós, desde o início, defendemos para o País. Defendemos a remoção gradual da austeridade, como já vinha sendo posto em prática desde 2014. Defendemos a criação de um clima de estabilidade e de confiança para as famílias e para as empresas. Defendemos o respeito pelos compromissos assumidos, condição essencial para sermos respeitados e ouvidos. Defendemos o Estado social onde ele é, hoje, mais atacado, na sua sustentabilidade e equidade. Defendemos a coesão social e territorial, em oposição àqueles que apostam tudo nas clivagens, no revanchismo e no mínimo denominador comum. Defendemos uma postura de verdade e de realismo, face aos vendedores de ilusões.

É por isso que, se António Costa se preocupasse mais com o que realmente importa ao País e menos com o que só interessa à sua sobrevivência política, teríamos para 2017 um Orçamento bem diferente. Um Orçamento que apostasse inequivocamente no crescimento da nossa economia, na captação de investimento, na recuperação sustentável dos rendimentos, na criação de riqueza e na sua justa e efetiva redistribuição. O contrário do Orçamento que nos espera em 2017: mais impostos, mais austeridade, menos crescimento, mais incerteza, menos futuro. Mas o Orçamento para 2017 não denuncia apenas o falhanço do caminho seguido pelo Governo.

Ele também expõe a tremenda hipocrisia política da maioria que o sustenta. Já todos perceberam que Bloco e PCP vêm para a rua falar grosso, tentando manter viva a chama de que “o que faz falta é animar a malta”. Mas no fim do dia metem a viola no saco e acabam por aceitar tudo o que dantes rechaçavam. Fingem que ao princípio estranham, mas depois entranham. O logro do fim da sobretaxa de IRS é o mais acabado exemplo desta postura dúplice dos bloquistas e comunistas.

Juraram que era para acabar em Janeiro do próximo ano, invocaram a lei que os próprios aprovaram, mas vão acabar a votar a manutenção da sobretaxa até ao fim do ano de 2017. O mesmo se diga do aumento extraordinário das pensões até 10 euros que, contra tudo o que é justo e aceitável, vai deixar de fora precisamente as mais baixas das pensões mais baixas. Para se manterem nas bordas do poder, Bloco e PCP mentem, escondem e pisam qualquer linha vermelha que diziam defender com unhas e dentes.
Todos têm um preço. O grande problema é que sejam os Portugueses sempre a pagá-lo.

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