Correio do Minho

Braga, terça-feira

O primeiro ano do resto das nossas vidas

Ser de Confiança

Ideias Políticas

2015-05-19 às 06h00

Hugo Soares

A 17 de maio de 2014, Portugal conseguia o que muitos pensavam que não seria possível: sair de forma limpa de um duro e exigentíssimo programa de ajustamento, dentro do prazo estabelecido.

As vozes que profetizavam a inevitabilidade de um programa cautelar ou mesmo de um segundo resgate vergaram-se perante a determinação e a capacidade de um povo que nunca se resignou nem baixou os braços e perante um governo que não mudou de rumo. Foram as portuguesas e os portugueses os heróis de um ajustamento sem precedente que venceu todas as aves agoirentas.
As vozes que insistiram no discurso da espiral recessiva foram desmentidas pela evidente recuperação económica. Portugal cresce, cresce acima da média da zona euro e acima da média do que cresceu nas últimas décadas.

As vozes, essas vozes, são as que hoje dizem que nada mudou após o 17 de Maio de 2014. Curiosamente, ou talvez não, são as mesmas vozes que chamaram a Troika. São os que gastaram para hipotecar o País e levá-lo à bancarrota! São os que viveram à sombra de privilégios injustificados. São os que parecem não saber viver sem a Troika no horizonte. Numa palavra, são os que parecem desejar que tudo corra mal só porque dá jeito do ponto de vista eleitoral. Fazendo uso de uma expressão que ficou no léxico político 'há os que querem que se lixem as eleições e há os que querem que se lixe o País por causa das eleições'.

Quatro anos depois, Portugal não voltará a ser o mesmo. Temos hoje a consciência coletiva que os desmandos de alguns são pagos por todos; que nada é garantido. Temos hoje certo que se paga caro, com o sacrifício de todos, os erros do passado. Quatro anos depois, ninguém quer voltar para trás.

Há um ano, a recuperação da nossa soberania, da capacidade de decidir sem avaliações periódicas dos credores institucionais, é o simbolismo carregado da saída da Troika de Portugal.
E o significado é muito real e muito palpável com reflexos diretos na vida de cada um dos portugueses. Desde logo porque a economia e o Estado se financia em níveis historicamente baixos. Fruto da nossa credibilidade reganhada. Mas há decisões, que resultam do pós-troika, que influenciam o dia-a-dia de milhares de famílias portuguesas.

O aumento do salário mínimo nacional, a reposição dos salários, as políticas amigas das famílias como o quociente familiar e o aumento das isenções até aos 18 anos nas taxas moderadoras da saúde são exemplos de quanto a soberania recuperada tem intervenção na vida dos portugueses.
A saída da Troika de Portugal representou não só o acerto do caminho seguido como é sobretudo a certeza de que - pela primeira vez - os sacrifícios, a austeridade e os cortes valeram a pena.

Portugal é hoje um País de esperança. Onde cresce o investimento. Onde o desemprego desce e o emprego cresce. Onde a economia recupera com sinais de sustentabilidade. Com contas públicas em ordem e com um défice abaixo de 3% (viemos de cerca de 11%!!). Com reformas profundas na política do medicamento, com mais médicos de família, com reformas estruturais na justiça e na defesa, no desmantelar dos setores protegidos e na modernização da administração hoje mais transparente e eficaz. Em suma, Portugal é um País com futuro.

Ciosos que somos da nossa liberdade e responsáveis que somos pelos nossos atos, é inegável que estamos hoje muito melhor do que estávamos há um ano. Os que teimam em dizer que não, repito, são os mesmos que chamaram a Troika.

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