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O que podemos e o que não devemos fazer numa biblioteca pública

Os passos seguros de Pedro Nuno Santos

O que podemos e o que não devemos fazer numa biblioteca pública

Voz às Bibliotecas

2022-12-10 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

No mundo actual, fruto da introdução das novas tecnologias de informação e comunicação, as bibliotecas passaram a desenvolver grande parte dos seus serviços de forma automatizada, permitindo o acesso à distância de muitos dos recursos que têm disponíveis como serviços de referência, documentos digitalizados, catálogos e bases de dados, entre muitos outros. A informação deixou de estar exclusivamente associada ao livro para estar presente em diversos suportes. Os novos recursos resultantes da automatização tornaram a biblioteca um lugar diferente de um depósito de livros como durante muito tempo foi entendida. O conceito de biblioteca mudou. A biblioteca do passado já não existe! No entanto, estas mudanças são também o resultado da evolução havida por parte de quem medeia todo este processo entre a busca da informação e os seus utilizadores, ou seja, o bibliotecário ou o profissional da informação, como também se denomina em resultado das transformações surgidas.

À medida que os sistemas informatizados foram avançando nas bibliotecas as relações entre os bibliotecários e os utilizadores foram-se modificando surgindo novas formas de mediação fruto das novas exigências. Em resultado destas mudanças, o bibliotecário assumiu também um novo perfil, o de profissional da informação, deixando de ser um guardião dos livros e um erudito para assumir o papel de interface facilitador de busca e acesso à informação e ao conhecimento.
Outra das alterações verificadas nas actuais bibliotecas com o desenvolvimento tecnológico situa-se ao nível dos suportes da informação. Actualmente, os utilizadores já não passam horas na biblioteca lendo um livro, mas procuram a informação que lhes é útil, indiferentemente do seu suporte físico, de acordo com a sua importância e pertinência em função da sua utilidade. A proliferação de suportes materiais com informação útil para os utilizadores transformou a biblioteca num espaço mais abrangente e diversificado até quanto às actividades que desenvolvem.

Hoje em dia, as diversas actividades associadas às bibliotecas e por elas dinamizadas tendem a mudar em alguns aspectos. De qualquer forma, atendendo à sua universalidade como entidades culturais, os bibliotecários devem preocupar-se em estar em sintonia com a razão de ser destas entidades de modo a manter-se a coerência dos pressupostos que estão na sua origem. Tudo o que se realiza na biblioteca deve enquadrar-se no espírito e no conceito que sempre a caracterizaram, enquadrando-se nos seus princípios básicos de divulgação da informação e do conhecimento.

Temos assistido, um pouco por todo o lado, ao acolhimento por parte de algumas bibliotecas de actividades que nada têm a ver com a promoção do livro e da leitura e que, em muitos casos, até lhes são estranhas, só para atraírem pessoas à biblioteca. Mas, o mais estranho é presenciarmos uma quase aceitação generalizada destas actividades e até de serviços que desvirtuam a própria razão de ser das bibliotecas e só demonstram a incapacidade dos bibliotecários em atrair público/utilizadores e de demonstrar a utilidade dos serviços que promovem. Mesmo que a comunidade onde a biblioteca está inserida possa facilitar a abertura a caminhos mais fáceis e abrangentes, não nos devemos esquecer que para além de espaços de lazer e de entretenimento que também são, estes devem necessariamente assentar numa base cultural, de debate e de construção de conhecimento. Há, neste momento, bibliotecas que desenvolvem serviços com os quais não concordamos porque desvirtuam o espírito para o qual foram criadas e nada têm a ver com os princípios orientadores definidos para as bibliotecas públicas. E outros, dificilmente se integram na sua função social.

Consideramos que os bibliotecários, como responsáveis pela gestão destas entidades precisam de preocupar-se, cada vez mais, com o que podem fazer no campo da promoção da leitura e da literacia, e, também, com o que não devem fazer porque não se enquadra no espírito das instituições que dirigem, tornando-as irreconhecíveis quanto à sua função. Aliás, não nos podemos esquecer que as bibliotecas continuam a ser projectadas com estantes!

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