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O renascimento industrial e as oportunidades da nova ordem social

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O renascimento industrial e as oportunidades da nova ordem social

Escreve quem sabe

2020-10-04 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

A COTEC organizou a 17.º Encontro de Inovação, para debater o "renascimento industrial” da Europa, subordinada ao tema "Do 4.0 ao renascimento industrial – os próximos passos numa era pós-covid” realizada em dois seminários em julho e, mais recentemente, nos dias 1 e 2 de outubro. Um tema de grande atualidade neste período de crise pandémica global, e um processo de mudança centrada na geopolítica e na globalização. Na tecnologia e nas ambiciosas metas políticas de transformação social e política, que assumem o sector industrial como o núcleo essencial, no quadro de uma nova economia mais competitiva e ecológica.
Conferência que decorreu em ambiente inteiramente digital, orientada para líderes empresariais, decisores políticos, académicos, dirigentes institucionais, e estudantes portugueses e estrangeiros em torno do debate sobre este novo conceito de “Renascimento Industrial” da Europa. Na 1ª conferência, em julho, perspetivando o desconfinamento global, que estava em curso, dando alguns sinais de recomeço da atividade económica e da nova normalidade social, com as empresas e as instituições mergulhadas na incerteza, e marcadas pela quebra acentuada dos níveis de confiança dos consumidores, dos empresários e dos investidores. Uma dimensão, que mantem contornos e consequências imprevisíveis.

Um contexto, mediado pelo esforço de controlo e pelo avanço do conhecimento científico acerca do COVID 19, que prevê o regresso de uma expetativa nebulosa, provocada pela disseminação da pandemia e pelo regresso do confinamento. Apesar de não apontar, neste momento, para um confinamento generalizado, regista a paralisação pontual de alguns territórios e comunidades, causadas pelos facilitismos e pela ilusão do regresso a uma situação de “normalidade”, em Portugal e por toda a Europa. Uma falsa sensação de normalidade, que induziu e está a induzir comportamentos coletivos e individuais menos adequados, cujos resultados estão a provocar uma grande preocupação, pelo facto de a crise a crise sanitária que está a alargar, aliada à crise económica instalada, perspetivam uma profunda crise social que começa a dar sinais muito evidentes.

Novo dinamismo que precisa de confiança e de serenidade, que está a ser abalado pelos acontecimentos mais recentes, e que transcendem os sectores da indústria em profunda transformação. Através de um conjunto do desenvolvimento de novas oportunidades, que a crise pandémica está a provocar nos mais variados setores. Uma preocupação que esteve presente, transversalmente, em todos os temas na 2ª conferência deste encontro de inovação, realizado no início de outubro. Apesar de centrar o seu foco no renascimento da indústria europeia, questionou o modelo de crescimento orientado para o futuro diferente, a pensar nas pessoas e em novas prioridades. Temas como, “Novos rótulos para velhas prioridades? O Futuro da Europa é Industrial? Pode a Europa ser uma ponte para o Mundo? Tecnologias do futuro e “campeões mundiais” made in Europe? China 2025, America First. Quo vadis Europa? Temas que foram abordados preparados para a próxima crise global? Conferências, reflexões e debates, que bordaram os riscos e as lições da pandemia, e perspetivaram os próximos passos para a inovação, identificando setores e aconselhando modelos de investimento. Confirmaram uma nova ordem social orientada para a capacidade de antecipação dos acontecimentos e para o aumento da velocidade de resposta e de rapidez da decisão da Europa, marcadas pela interdependência e pelo aprofundamento da globalização.

Resultados que anunciaram novos desafios para desenvolvimento tecnológico, para a investigação e para economia do conhecimento, que caraterizam as dinâmicas da sociedade 4.0 e da era digital. Um prenúncio do novo paradigma para ultrapassar a crise pandémica, e a crise económica e social provocada, que tem paralelo no que aconteceu no Renascimento na sua dimensão cultural, económica, política, científica e tecnológica, surgido na Itália no século XIV, e que se estendeu por toda a Europa. Inspirado nos valores da antiguidade clássica e gerado pelas modificações económicas, reformulou a vida medieval, e deu início à Idade Moderna.
Tal como neste movimento de transformação, que se prlongou até ao século XVII, o renascimento industrial da atualidade, quer dar início a uma nova Europa. Uma mudança que nas suas mais diversas dimensões, deverá afirmar-se como um movimento de raiz humanista, que assenta os seus princípios e objetivos na resposta à mudança, irreversível, da forma de viver individual e coletiva das pessoas. Embora o futuro pós-covid, seja ainda uma incógnita, os desafios da competitividade, da sustentabilidade da inovação tecnológica, que estão na base do renascimento industrial, não poderão assentar apenas em critérios de eficiência económica, de forma a potenciar, efetivamente, as consequências da pandemia em oportunidades da nova ordem social e uma esperança para as novas gerações.

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