Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O Rio está agitado

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Ideias Políticas

2013-01-22 às 06h00

Carlos Almeida

Candidato há mais de oito anos, Ricardo Rio sempre fez questão de se apresentar como “o escolhido”, aquele em quem o seu partido, o PSD, coligado com outros, o CDS e o PPM (sim o “M” é mesmo de Monárquico!), depositou a máxima esperança de conquistar a Câmara de Braga.

Ricardo Rio, que já saiu derrotado por duas vezes da corrida à Presidência do Município, entra em 2013, e uma vez mais, com o rótulo de candidato único da oposição. Essa é, porventura, a imagem pretendida por quem quer fazer de Ricardo Rio o depositário dos mais diferentes (e justos) descontentamentos causados pela governação ‘socialista’ em Braga.

No entanto, quando parecia que tudo corria de feição na candidatura de Rio - o Ricardo, claro - e esta seguia o seu caminho, eis que vêm a terreiro sinais de desunião e discordância. Passo a explicar. Por iniciativa das associações Braga+ e JovemCoop , debateu-se na passada semana um dos assuntos mais polémicos da política bracarense nos últimos tempos - a aquisição do edifício da antiga fábrica Confiança.

Numa sala repleta de pessoas e opiniões, foi possível ouvir os vereadores Vítor Sousa (PS) e Ricardo Rio (PSD) - os responsáveis pela aquisição do imóvel pelo valor de 3,5 milhões de euros - defenderem o seu envolvimento em todo o processo.

Se quanto às opiniões manifestadas pelos oradores convidados não registei qualquer surpresa, o mesmo não posso dizer das dos presentes na plateia, na qual eu próprio me integrei, diga-se.
De todas as intervenções feitas pelos presentes, penso não podermos ignorar a de António Marques, Presidente da Associação Industrial do Minho. Marques, que é também dirigente do PSD, não se poupou nas críticas ao negócio da fábrica Confiança, dizendo mesmo não compreender os valores envolvidos. Mas não se ficou por aqui.

António Marques, criticando a superficialidade com que Ricardo Rio tem abordado as políticas municipais, deixou no ar uma apreciação negativa às ideias do candidato assumido pelo PSD, levantando mesmo vários outros temas como o Parque de Exposições de Braga, a deslocalização do hospital, o património ou a necessária articulação da cidade com a universidade. No final da intervenção, o ar pesado que se instalou na sala não era nada à beira dos evidentes sinais de incómodo e agitação visíveis em Ricardo Rio. É caso para dizer que a Confiança não quer nada com ele.

Parece, portanto, que nem tudo são rosas no largo da Senhora-a-Branca. Perdão, laranjas!
Uma nota final sobre o debate. Muitos poderão dizer que esta iniciativa não trouxe nada de novo, ou, com um sentimento algo pejorativo, que mais parecia uma réplica das sessões da Assembleia Municipal. Haverá ainda quem diga que o debate pecou por se ter centrado apenas no negócio de aquisição do imóvel, quando, porventura, a expectativa era de se discutir o seu futuro e a sua inquestionável importância para Braga.

Ora, eu não posso estar mais em desacordo. Se houve contributo neste debate, foi a possibilidade de confrontar as forças do poder, perante vários responsáveis políticos, dirigentes associativos, jornalistas, agentes culturais e o comum dos cidadãos. E esta é a grande, e valiosa, novidade.
Por outro lado, reconhecendo a necessidade de se discutirem as ideias e os projectos para o edifício, penso que não seria possível ignorar-se o processo de compra do imóvel, envolvendo dinheiros públicos, suportado que foi em avaliações tão estranhas quanto prejudiciais para o Município, o que o transformou num caso polémico carregado de dúvidas e desconfianças.
Venham mais debates e mais novidades.

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