Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O silêncio da “comunidade internacional”?

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Ideias Políticas

2015-11-03 às 06h00

Carlos Almeida

APalestina atravessa por estes dias mais uma longa e violenta acção repressiva promovida por Israel. Apesar da pouca (ou nenhuma) visibilidade dada ao assunto na comunicação social nacional ou estrangeira, de onde resulta a falsa ideia de que o tema não tem importância, a situação vivida na Palestina nas últimas semanas tem assumido particular gravidade. O número de palestinianos assassinados pelo exército e pelos colonos israelitas está já perto de uma centena, entre os quais, como sempre, muitas crianças. Assassinatos e crimes hediondos cometidos debaixo do manto de um suposto combate ao terrorismo e de defesa nacional. Assassinatos e crimes cujo responsável tem um nome: o governo de Israel.

No entanto, a agressividade israelita parece ser aceitável no quadro internacional, não se ouvindo uma voz de condenação por parte dos governos dos países “civilizados” ou das instituições europeias. Tudo é normal e justificado perante a ameaça permanente do “terrorismo”.
Assim, com a cumplicidade da “comunidade internacional”, Israel pode apertar o cerco, condenar o povo da Palestina a mais restrições, alargar a ocupação dos seus territórios, destruir aldeias e vilas, construindo sobre os escombros novos colonatos. Israel pode assombrar os dias das crianças palestinianas, deixando-as órfãs, bombardeando as suas escolas, obrigando-as a crescer num ruidoso clima de insegurança e medo.

Israel pode erguer muros de segregação, pode controlar, bloquear e impedir a circulação de pessoas, condenando um povo ao isolamento, à escassez de produtos alimentares e bens essenciais. Israel pode isto e muito mais porque não tem que enfrentar as acusações, a condenação ou as sanções que as nações do “mundo ocidental” impõem a outros Estados, muitas vezes, por muito menos, ou até sem motivo aparente. Israel é dono e senhor do seu caminho de opressão e guerra sobre a Palestina e o seu povo, e sabe que pode fazer e dizer o que entender que não haverá quem lhe erga a voz.

Exemplo disso são as declarações do Primeiro-ministro Netanyahu segundo as quais o grande responsável pelo holocausto não terá sido Hitler, mas sim um líder religioso muçulmano, do qual terá partido a ideia de exterminar os judeus. Ou então, as não menos surpreendentes, mas, sem dúvida, mais fanáticas e perturbadoras declarações da Ministra da Justiça israelita proferidas recentemente defendendo penas de prisão para as crianças palestinianas desde que tenham mais de doze anos. Doze anos, repito.

Onde esteve a indignação, o protesto a condenação por tais palavras e intenções? Onde estão hoje os “civilizados” para condenar os ataques militares de Israel? Estão porventura mais preocupados com as sanções a aplicar ao bravo piloto da companhia aérea Iberia que, aterrando em Telavive na semana passada, anunciou a chegada à Palestina.

Pela minha parte tudo farei para que nada disto passe em claro. Foi isso que me foi pedido quando visitei a Palestina. “Divulguem, denunciem, ajudem-nos” - imploravam-me a mim e aos camaradas que me acompanhavam. Foi esse o compromisso que assumi quando pude ver com os meus olhos tanta destruição, repressão e violência. Foi isso que prometi quando pude pegar naquelas crianças que, apesar do terror, no lugar das lágrimas nos olhos tinham sorrisos nos lábios e um “V” entre os dedos da mão como sinal de vitória. Uma vitória que tarda, mas um dia trará liberdade e paz a um povo que, como os demais, tem direito ao seu território, à sua soberania e independência.

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