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O Sporting Clube de Braga e o Hino - Marcha op. 109 do Capitão Piedade (1884-1952)

Por Terras de Sombra e Sombras

O Sporting Clube de Braga e o Hino - Marcha op. 109 do Capitão Piedade (1884-1952)

Escreve quem sabe

2020-01-29 às 06h00

Elisa Lessa Elisa Lessa

O meu amigo António Lobato deu-me a conhecer o livro Sporting Clube de Braga 1921-1985 da autoria de Barros Pereira, editado em Julho de 1985 pelo Correio do Minho. O seu autor revela-nos a história deste desporto na cidade com início alguns anos antes da 1.ª guerra. Interrompido pelos tempos difíceis que se seguiram, a prática do futebol viria a ser retomada em 1918 com a criação de pequenos clubes. Corria o ano de 1920 quando um grupo de jovens entusiastas traçou os planos para a criação do S. C. de Braga, fazendo aprovar os primeiros estatutos do clube em Janeiro de 1921 (Barros Pereira: 1985:11-12).

Passados cinco anos, em 1926, o Capitão Guilherme Joaquim Boto da Piedade (1884 -1952) compõe, a convite do clube, o Hino-Marcha do Sporting Clube de Braga, op.109, recebendo pelo trabalho de criação de duas versões da obra, uma para banda e outra para quarteto de cordas com piano, a quantia de 60 escudos. Este regente compositor, autor de mais de uma centena de obras, foi regente da Banda do Regimento de Infantaria nº 8 nos anos de 1923 a 1928 e em 1924 fundou a Tuna – orquestra do Orfeão de Braga. O Hino-Marcha teve estreia no Theatro Circo a 21 de Junho de 1926 pela Banda dos Órfãos de S. Caetano, sendo interpretada num espectáculo de homenagem ao Sporting Clube de Braga.

No intervalo da exibição do filme A Força da Alegria, o clube recebeu uma bandeira de seda bordada a fio de ouro custeada pela comissão organizadora do evento constituída por amigos do clube (Carneiro, 1959: 289). A cidade só voltaria a ouvir novamente o Hino-Marcha em 1976, num festival desportivo no Estádio 1.º de Maio, desta vez interpretada pela Banda da Guarda Nacional Republicana. Graças ao empenho de Barros Pereira, então Secretário Geral do Clube, que resgatou o manuscrito musical conservado no arquivo do Colégio dos Órfãos de S. Caetano, as partituras foram enviadas ao Capitão João da Silva Marques, oficial da GNR, que de imediato as entregou à banda militar para a preparação da interpretação do Hino-Marcha. No livro de Barros Pereira pode ver-se a parte do 1.º cornetim, em cópia manuscrita (Barros Pereira: 1985:46). O carácter marcial e festivo desta obra, é um bom e oportuno motivo de desafio à Banda de Cabreiros e ao Sporting Clube de Braga para que o Hino -Marcha op. 109 do Capitão Piedade possa ser novamente ouvido na cidade.

(.) Por opção da autora o texto está escrito segundo a norma ortográfica da Língua Portuguesa anterior ao Novo Acordo Ortográfico.
(.) Referências Bibliográficas
Álvaro Carneiro (1959) “Música em Braga”. Separata de Theologica.
Barros Pereira (1985) Sporting Clube de Braga 1921-1985. Braga: Correio do Minho.

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