Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O Syriza, a Grécia e o resto

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Ideias Políticas

2015-01-27 às 06h00

Hugo Soares

A vitória esmagadora do Syriza, na Grécia, em eleições legislativas leva um partido da esquerda extrema pela primeira vez ao poder em regimes democráticos estabilizados.
Se não houvesse mais nenhuma consequência a esperar ou a extrair do resultado eleitoral das legislativas gregas, este é um facto que, per si, merece reflexão. Não porque no espectro político não caibam as esquerdas da esquerda. Apenas porque no poder não quero e não desejo nem as esquerdas da esquerda nem as direitas da direita.

Por outro lado, o elã que partidos como o Podemos Espanhol pretendem extrair desta vitória é o mesmo impulso que quer a extrema-direita francesa. Pese embora alguma comunicação social ter querido esconder a realidade (até para não estragar a festa do “chique” da esquerda radical) o partido da Senhora Le Pen apoiava entusiasticamente o Syriza; e também cantou vitória. Neste particular uma nota para o ridículo do Bloco de Esquerda: entusiasticamente, como se de um triunfo se tratasse, brandiu a bandeira da mudança no País e na Europa. Esquece-se, o BE, que há medida que ganha líderes do Partido perde eleitorado e apoiantes. Nem a Grécia é Portugal, nem Portugal é a Grécia.

Do ponto de vista político, a preocupação sobre o futuro da Grécia é real. O Syriza (qual PS Francês do Sr. Hollande) começou por garantir o não pagamento da dívida, a saída da Europa e da zona Euro. Nos últimos dias, com a responsabilidade de irem a poder já só queriam renegociar a dívida e sair da UE ou do Euro nem pensar. Ora, para que a Grécia possa continuar no espaço europeu que temos vindo a construir terá que cumprir com os Tratados em vigor.

Mas como se isso não bastasse para exigir um caminho completamente diferente daquele que o Syriza prometeu, a pressão maior será dos credores institucionais. Numa linguagem muito clara: a Grécia está prestes a falir; tem défice público e dívida monstruosa; não tem quem lhe empreste dinheiro para fazer face às necessidades mais elementares; ou a Troika empresta ou ninguém confia num País que diz não querer pagar… aquilo que lhe emprestam (dívida); ora, a Troika para emprestar exige contrapartidas, para ter garantias do pagamento; resultado, ou o Syriza faz diferente do que prometeu (e a esquerda radical, as esquerdas radicais arrancarão cabelos) ou a Grécia caminha inexoravelmente para ser um País pobre não agora, mas por muitos anos.

Uma nota final para o comentário “eleitoral” de António Costa. Parecia um fervoroso “Syrizista” o que deve merecer as nossas maiores cautelas; e nem uma palavra sobre o Partido Socialista Grego que à hora que termino este texto ainda não tinha sequer eleito um Deputado. Que miséria “de tão pouco” para quem quer a responsabilidade de governar Portugal em tempos únicos. Tempos que são históricos. De transformações absolutamente alucinantes e de realidades que pensávamos ser impossíveis. Ver o que vai acontecer na Grécia e como a Europa vai lidar com a Grécia será certamente mais uma grande aprendizagem. Que não esqueçamos nós que os Gregos são como nós: um povo.

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