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O “tempo” eleitoral…

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O “tempo” eleitoral…

Ideias

2021-09-20 às 06h00

Filipe Fontes Filipe Fontes

No último texto, escreveu-se que “este “tempo” não se afigura fácil nem isento de (grande) exigência. Mas que não deixa de ser momento de oportunidade e esperança”.
Ao reler estas palavras, visibiliza-se ainda mais este tempo eleitoral que se vive e o quanto estas palavras se afiguram tão mais necessárias quanto presentes. Uma eleição é e, acredita-se, será sempre, um momento celebrativo. Celebrativo da liberdade de escolha e celebrativo da escolha da liberdade como suporte à vida de cada um de nós, organizada individual e comunitariamente. Também celebrativo pela disponibilidade que uns tantos revelam para trabalhar e gerir o Espaço Público em prol de tantos e tantos outros. Celebrativo porque afirmamos a nossa individualidade na livre escolha e a nossa aceitação da representatividade e dependência de um conjunto seleccionado de pessoas para “comandar” a nossa vida comunitária.

Como tal, este momento eleitoral é, por inerência, um momento celebrativo, ainda mais acentuado por se reportar ao nível do “poder” mais próximo dos cidadãos (e seu quotidiano), por exigir o maior envolvimento de cidadãos e sua organização em equipa, por ser global e atento.
E, porque assim é, aqueles temas referenciados há duas semanas atrás tornam-se ainda mais presentes e incontornáveis: o poder da política e a política do poder; a sedução da comunicação e a comunicação da sedução; a dicotomia produto e processo; o momento como oportunidade.

A política corresponde à gestão da “coisa pública” e materializa-se no exercício do poder em foco e perspectiva na concretização do bem comum. Não corresponde à conquista do poder por orgulho ou prestígio, curriculum ou inerência de “percurso político”. Ao olharmos para a miríade de candidatos apresentados (já que, depois de escolhidos, não vale a pena “olhar pelo retrovisor”), convém relembrar esta verdade tão insofismável quanto tantas vezes esquecida: a política implica poder e este exerce-se e não se publicita. A política implica decisão e explicação. Dispensa exibicionismo e adiamento. Como tal, mais do que táctica – que só se justifica se instrumental e coerente – ou acomodação – que só se será possível por ausência ou desinteresse – a política exige estratégia e intenção, concertação e diálogo, opção e decisão. É para isso que todos se candidatam. É por isso que alguns são escolhidos: para dar azo ao poder da política! A sedução da comunicação é uma tentação recorrentemente presente nas ditas “campanhas eleitorais”, construindo-se, não raras as vezes (ou será praticamente todas?) uma dicotomia do bem e do mal, do capaz e do incapaz, da intenção e da incompetência, omitindo-se a diferença e o caminho. Isto é, e a campanha que já decorre é disso exemplo: raro é o candidato que não se arvora de competente e capaz, aquele que faz sem dúvida e aquele que formula ideias e projectos de forma segura e inquestionável. Em oposição, o candidato adversário é todo ele feito de incapacidade e, tantas vezes, má intenção, sempre com ideias ultrapassadas, inexequíveis e irrealistas… numa fixação do debate em recursos pessoais qualitativos (que pessoaliza de forma evidente) em detrimento do confronto de ideias e opções.

Porque, na verdade, valoriza-se mais esta vertente pessoal do que a diferença de ideias e caminhos, do entendimento dos pontos convergentes e dos pontos distintivos, não se comunicando pensamento, antes publicitando-se qualidade de forma egoisticamente comparativa. Torna-se tudo mais fácil, directo, visível e menos exigente. E, provavelmente, mais rápido na aproximação às pessoas. Mas, em simultâneo, torna-se tudo mais pobre e redutor, prejudicando a escolha e a opção de quem vota.
Neste afã comunicacional, fala-se de projectos e ideias produtoras de resultados imediatos, como se, em quatro anos, tudo fosse possível, uma vida fosse possível de abarcar e condensar. Lançam-se números feitos objectivos e metas “realistas”, lançam-se intenções como certezas estudadas e ponderadas na convicção de que quatro anos “é muito tempo” e esquecendo-se de que a cidade é fruto de um processo de crescimento em camadas sedimentadas pelo tempo. Confesso que acredito que quem “chega ao poder” tem todas as ferramentas e possibilidades de acrescentar uma nova camada à cidade, ajudando-a “a fazer-se ao longo do tempo”. Duvido sempre daquele que transforma quatro anos num produto acabado e datado…

Na verdade, estas eleições são uma oportunidade e um sinal de esperança, de renovada esperança. Em tese e na síntese de tudo o que emerge como convicção e vontade. Mas a esta oportunidade e esperança não podemos, nem devemos, deixar de acrescentar exigência e dever. Porque o caminho é difícil, porque o caminho realiza-se em contexto de mudança, por vezes profunda e voraz. Porque, para muitas das suas etapas, já não há muito tempo para as superar (e outras há que já deveriam estar vencidas).
Este momento é oportunidade e esperança se, de facto, soubermos ler o passado, aprender e apreender os seus ensinamentos e tivermos a coragem de praticar tudo o que nos aconselhou e despertou. Sem omissão e demissão. Sem ambição desmedida ou ousadia sem temor. Apenas garantindo o óbvio: o real exercício do poder ao serviço de todos. E esse começa agora quando convenço cada um da bondade das minhas ideias para gerir aquilo que é de todos nós!

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