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O Ténis russo: uma história a descobrir

O símbolo internacional (quase universal) do amor

O Ténis russo: uma história a descobrir

Escreve quem sabe

2024-02-03 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Terminou no passado domingo mais um Open da Austrália em Ténis na cidade de Melbourne. Foi mais uma edição entusiasmante do “happy Slam”, o favorito de boa parte dos jogadores.
A final masculina foi digna de um filme de suspense, tendo sido necessário esperar cinco partidas e 3 horas e 44 minutos para o italiano Jannick Sinner (nº 4 do ranking da ATP) bater o russo Daniil Medvedev (nº 3). No dia anterior a bielorussa Aryna Sabalenka (nº 2 do ranking da WTA) havia derrotado na final feminina a chinesa Qinwen Zheng (nº 7) em apenas duas partidas.
Neste momento, estão, para além de Medvedev, mais dois russos no top 20 do ranking da ATP: Andrey Rublev (nº 5) e Karen Kachanov (nº 18). Já no topo do ranking da WTA, acompanham Sabalenka as russas Daria Kasatkina (nº 14), Liudmila Siamsonova (nº 15) e Veronika Kudermetova (nº 16).

Enfim, pode dizer-se que, apesar de os placards dos estádios e das televisões não exibirem a bandeira da Federação Russa nem da Bielorrússia junto ao nome dos seus jogadores, e de estes não serem cumprimentados por muitos dos seus adversários, devido à invasão da Ucrânia, o Ténis russo passa por um período de grande afirmação.
Todavia, isso nem sempre foi assim. Durante o período Soviético (1922-1991), o Ténis foi considerado um desporto de burgueses e, por razões ideológicas, praticamente não existiu na Rússia. A exceção foram as participações, ao nível de seleção, nos Jogos Olímpicos e na Taça Davis.

Num extraordinário relatório elaborado pela CIA em 9 de março de 1955, intitulado “Ténis na URSS”, agora parcialmente desclassificado, que tive a oportunidade de ler, relata-se que na primeira metade da década de 1930, uma casta emergente de altos funcionários públicos, que mantinha contactos com os países ocidentais, ficou muito atraída pela modalidade e impulsionou o seu forte desenvolvimento. Na metade seguinte dessa mesma década, para espanto geral, a superestrela do Ténis de então, Henri Cochet – um dos quatro mosqueteiros que venceu a Taça Davis entre 1927 e 1932, juntamente com René Lacoste, Jean Borotra e Jacques Brugnon – foi convidado a dirigir uma escola de Ténis em Moscovo onde se reuniram as maiores promessas russas da época. Infelizmente, o clima de paranoia política e social que então se vivia pôs rapidamente fim à iniciativa, com Cochet a ter de regressar apressadamente a França e os talentosos jogadores que treinou a serem acusados de espionagem para os gauleses e liquidados nas famosas purgas estalinistas entre 1936 e 1939.

Até ao colapso da URSS em 1991, a prática tenística na Rússia apenas existiu através de um sucedâneo: o “Ténis malyy” (literalmente “pequeno Ténis”), em tudo idêntico ao chamado Padel, que goza agora de uma aura de novidade.
Se se pretender, então, falar de uma tradição no Ténis russo, ela não remonta da década de 1990, altura em que Bóris Iélstin, primeiro Presidente da Rússia, grande apaixonado pela modalidade, criou a oportunidade para o seu desenvolvimento. Essa foi a década em que Evgeni Kafelnikov brilhou nos courts mundiais.

No entanto, a profunda crise da economia russa na década seguinte levou as popularíssimas Maria Sharapova, Svetlana Kuznetzova e Dinara Safina para os EUA, a primeira e para Espanha, as outras duas. Destino idêntico tiveram Marat Safin (irmão de Dinara) e Nikolay Davydenko.
Essa situação perdura na atual e mais brilhante geração do Ténis russo. Com exceção de Rublev e Kudermetova que vivem Moscovo, Medvedev reside em Monte Carlo, Kachanov no Dubai, Sabalenka em Miami, e Kasatkina e Siamsonova em Barcelona.

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