Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O Ter e o Ser

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Conta o Leitor

2012-08-22 às 06h00

Escritor

Por Carlos Antunes

Uma das chagas desta tipo civilização hedonista, é ter por religião o vil metal, que tudo compra, até algumas almas. Quando se tira um curso, não é feito por vocação, mas por aquilo que possa dar muito dinheiro e se possível, muito dinheiro... porque dinheiro é sinonimo de poder e, este dá-nos a impotência que, de outra forma não seria possível.

Uma criança se for criada com um porco, come e grunhe como um porco, é o conhecimento pré-existente (educação) que faz dela Homem. Há gente que logo que ganha uns tostões, quer que o seu filho seja doutor. E qualquer dia, quando for batizado tem que trazer logo o canudo.
Desconhecendo que, instrução não é sinónimo de educação, esta, deveria ser ensinada em casa, mas ninguém pode ensinar aquilo que não sabe, nem ninguém pode dar aquilo que não tem. 

Depois acontece que, nos confronta-mos com médicos, pedagogos, juízes, etc, que não são mais que, uma autênticas cavalgaduras. Quando o pé descalço diz um palavrão é um ordinário, mas quando é dito por um senhor doutor, tem muita graça, é um excêntrico. Um sem-abrigo é um bêbedo, o senhor doutor é alcoólico. Quando o proleta atira com um piropo a uma 'dama', é um desavergonhado, mas feito por um senhor doutor... os olhos ficam todos remelgados.

Uma sociedade que para ser um 'senhor' basta abrir um tasco, quer se venda copos ou trapagem, o que importa é ser mercador (está-nos na massa do sangue). Daí em diante, as caras que o olhava com desprezo, passam a ter um sorriso de orelha a orelha. Andam nos seus popós, com o seu rimel, o seu baton, mas quando abrem a boca, os disparates saem em catadupa, mas não faz mal porque, é tudo  vinho da mesma cepa e acaba por não se notar.

Uma senhora muito assenhorada cá do burgo confidenciava a uma amiga, 'eu tenho muito dinheiro mas não sei dar educação aos meus filhos', esta, ainda tem a virtude de o reconhecer, mas na sua maioria é uma dor de alma. 

Os filhinhos destas criaturas um dia vão para autarcas, gestores, professores, médicos, deputados, ministros, presidentes, etc. e a sua ignorância passa ser lei. Um caso muito concreto, o senhor Silva, filho de um taberneiro de Boliqueime, que chegou a presidente deste pobre país.

A pobre criatura, não sabia que se deve comer de boca fecha e aconteceu pôr-se ao falar aos jornalistas e o pobres coitados levaram com uma grande saraivada de gafanhotos, de bolo rei, encima, a pobre criatura diz que, 'nunca tem dúvidas e raramente se engana', típico de ignorantes. Sócrates, a quem o oráculo de Delfos deu como o homem mais sábio da terra. Dizia, 'só sei que nada sei'.

O senhor Silva continuando na sua saga diz que, o 10 de Junho é o dia da raça. Que eu saiba, raças têm os cão e os cavalos. Aprendi que, a espécie humana é composta por, Caucasianos, Negróides e Mongolóides. 

O passatempo favorito da primeira dama, durante as viagens de avião ao estrangeiro, aquando de protocolos, adorava corta as unhas dos pés, um alto momento cultural. Claro que, depois de expostos perante tanto ridículo, as pobres criaturas tiverem de levar umas aulas de etiqueta, mas continua a faltar-lhes a posta do meio. Pobres com a mania de grandezas,CCB, Expo, Pontes, autoestradas, gestores mais bem pagos do mundo, etc., etc., etc.

E ainda com as suas manias de grandeza, acabou com agricultura, pescas, marinha mercante, industria, etc., e diz que, não de arrepende de nada daquilo que fez. Irra que o homem é.....e como prémio deram-lhe dois mandatos com presidente. Ah ganda Zé portuga, razão para dizer 'prá frente Portugal'. Um povo com dirigentes à sua altura é sempre motivo de orgulho!

Hitler nasceu num bairro pobre, foi cabo do exército quando lhe subiu o poder à cabeça, queria ser senhor do mundo, adorava palácios. Ceausescu andou descalço, quando o poder lhe subiu à cabeça, mandou fazer o maior palácio do mundo com torneiras em ouro. Sadam andou a pastar camelos, também adorava palácios de mármore e com torneiras em ouro, David o que andava a guardar cabras e mandou uma calhoada a Golias, o seu mandato foi o de maior decadência da historia de Israel, Calígula foi desterrado para não ser morto, foi criado por um escravo, depois regressou, foi uma fonte de horrores e crueldades, Nero, ainda lhe deram Séneca para o educar mas, acabou por o obrigar a cortar os pulsos.

Que foi feito do dinheiro das especiarias das Índias, do comércio de escravos, do ouro do Brasil? Gastos em, comezainas, bailes e cabeleiras. Onde pára dois milhões de contos que entraram cá no pedaço durante longos anos vindo CE? Onde pára o dinheiro ganho no pais que, 'era um oásis', segundo o senhor Silva.  O Vale do Ave tem mais Ferraris por metro quadrado de toda a Europa, parolos que compram amantes ao preço do ouro, mas gente sempre apelar aos valores da família.

O fausto, a ostentação, é o cartão de apresentação do pobre endinheirado. Esta gente  desconhece que, Simplicidade, Humildade, Recato, Modéstia, etc., Valores que, apenas são privilégio dos GRANDES. 

Vem-me à memória a história de um contributo civil cá do burgo, (daqueles que a gente sabe, que estão sempre prontos para o lucro e os prejuízos sou eu quem paga) numa manhã de domingo soalheiro, disse à 'sua senhora', (eles não dizem minha mulher, mas a minha senhora) que iam dar um passeio. Meteram-se no seu 'Murcedes', ao chegar a hora do repasto, entram no restaurante, diz ele, para a 'minha senhora'. Vês aquela loira sentada ali ao canto? É a amante do meu sócio. Responde a 'minha senhora', a nossa é muito mais bonita.   

Sócrates, tal como os grandes Mestres da humanidade, não deixou nada escrito, achava que os ensinamentos deveriam ser feitos através da prática e não teorizados. Andava quase sempre descalço, quer de inverno, quer verão e sempre com a mesma túnica, em jovem foi um valente guerreiro. Certo dia ao passar por um jovem, barrou-lhe o caminho com o seu bordão, perguntando-lhe.
-  Ouve meu rapaz, podes dizer-me onde se pode beber um bom vinho, acompanhado de umas boas azeitonas? 
O jovem que mais tarde viria a ser ser discípulo, indicou-lhe um local onde seu pai costumava comprar vinho para casa. 
- Também sabes dizer-me, um local onde se possa comprar um fatiota como a tua?
O jovem começou a estranhar, mas respondeu.
- Já agora, também me podes dizer, um local onde se possa aprender a saber-estar, a ter boas-maneiras, enfim, ser gente culta e educada?
O jovem ficou a olhar para Sócrates sem saber o que dizer.
- Bem... vejo que não sabes meu rapaz, vem comigo, que eu ensino-te.

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