Correio do Minho

Braga, terça-feira

O todo é maior que a soma das partes

Tancos: falta saber quase tudo

Escreve quem sabe

2015-05-19 às 06h00

Cristina Palhares

Na passada semana, tive a oportunidade de assistir a uma tertúlia musical inserida num projeto levado a cabo por uma prestigiada empresa da nossa cidade, com o maestro, pianista e compositor Rui Massena, intitulada “A empresa como uma grande orquestra”. Esta e outras tertúlias inscritas no projeto “Inspiring Sessions”, são sessões de partilha de experiências e de conhecimentos protagonizadas por individualidades reconhecidas no panorama nacional em diferentes áreas de saber, que prentendem isso mesmo: INSPIRAR. Rui Massena assim o fez, e excelentemente o fez. Partindo de poucas (em quantidade) e pequenas (em complexidade) caraterísticas de liderança necessárias à direção de uma orquestra, Rui Massena leva-nos a transferir para qualquer outra área do desenvolvimento humano, onde seja necessário qualquer tipo de direção ou liderança, a inspiração que nos falta.

De palavras como risco, flexibilidade, criatividade, rigor, construtividade, complexidade, envolvimento, duas ideias fixaram-se no meu imaginário: a captação de talento e a superação. Se na primeira, refletimos a capacidade de um líder (pode ser a figura do professor, na sua sala de aula) em “encontrar” nos que envolvem o seu dia a dia os seus talentos, a superação acontece quando deste “encontro” se consegue ir além do que esperávamos.
Existe superação quando passamos para lá da nossa expetativa, da nossa programação, dos nossos testes.

Existe superação quando, “encontrados” os talentos, lhes damos uma “orquestração” diferente. Seja numa empresa, numa escola, num clube, numa associação. Passa numa primeira instância pela “escolha da batuta”, como tão bem dizia Rui Massena. E se a batuta for a da flexilibidade, do risco, da criatividade, “na captação e encontro de talentos” então a peça final será com certeza muito mais do que o somatório das partes de cada um dos talentos. Aqui não há lugar à exatidão matemática mas a um olhar holístico, gestáltico, em que o todo é maior que a soma das partes. De tal forma, que muitas vezes os pequenos “erros” são colmatados pela totalidade da peça final, seja ela o que for.

E aqui encontramos a segunda instância: “errar rápido”. Se tivermos que errar, que seja rápido. Se temos que escolher entre duas situações, por exemplo, e escolhemos a errada, que este caminho seja rápido, assim dizia de uma forma engraçada Rui Massena. Que possamos rapidamente dar conta do erro e optar pelo outro caminho. Verdade. Teremos muitas ocasiões para errar, mas se o fizermos de uma forma rápida, não teremos muito tempo dedicado ao erro.
E, finalmente a terceira instância: “arriscar envolver”.

Arriscar o envolvimento: um líder junta vontades, junta talentos, junta energia. Um líder não diz como se faz, antes junta quem quer fazer. E esta palavra “JUNTA”, que nos remete ou para uma união (peça mecânica destinada a possibilitar a união entre dois objectos ou a união entre dois ou mais ossos do corpo denominada articulação) ou para uma composição (junta militar - governo formado por altos comandantes das forças armadas de um país ou junta de freguesia - orgão executivo da administração autárquica portuguesa) representa bem como a liderança se deve fazer.

Juntando vontades, juntando talentos, juntando energias. Arriscar o envolvimento é talvez a maior capacidade que se pede a um líder. Arriscar o envolvimento é talvez a maior capacidade que se pede a um professor. Arriscar o envolvimento é talvez a maior capacidade que se pretende de um aluno.

E esta capacidade, resume-se simplesmente a uma palavra: DESEJO. Rui Massena termina assim a sua tertúlia: arriscar o envolvimento, porque o nosso desejo é amar, trabalhar, tocar, dançar, sorrir… Façamos dos nossos propósitos, dos nossos projectos, dos nossos objetivos, os nossos desejos. E arriscaremos envolver-nos! Rui Massena espelhou o que os grandes líderes fazem: INSPIROU-NOS.

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