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O uso simbólico da política

Corrupção e impacto na economia

O uso simbólico da política

Escreve quem sabe

2021-02-19 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

O confinamento não trouxe apenas custos. Ainda há dias, O Prof. Júlio Machado Vaz sublinhava que, se é verdade que o confinamento fez aumentar a violência doméstica, também é verdade que muitas relações humanas se solidificaram, já que, em muitos casos, os casais mal se relacionavam, completamente absorvidos pelas suas carreiras. Se, entretanto, relações houve que se traduziram em violência, elas já não existiam de fato.
Mas não só nas relações familiares o confinamento pode ser benéfico, também o pode ser na vida pessoal. Este tempo de segregação leva à introspeção e a reflexão. É tempo de cortar com as rotinas e recordar as peripécias do passado.
No meu caso, depois de ter passado 4 anos fora do país a fazer o doutoramento, há quase 40 anos, a vida profissional forçou-me a por de lado apontamentos, artigos, observações e livros que ficaram ligados à minha formação e que estavam perdidos no fundo das estantes. Foi num momento de confinamento que redescobri um livro que em tempos foi importante para a minha formação. Chama-se The Symbolic Uses of Politics, de Murrey Edelman, publicado em 1964.

Reli-o e verifiquei que se pode aplicar à situação política atual. Edelman afirma que praticamente cada ato político controverso, ou reconhecido como realmente importante, condensa um símbolo. Por exemplo, as eleições vistas como forma de participação no processo político, na realidade são um ato simbólico, que dá a sensação de participação, mas trata-se de um ritual que não serve os objetivos que se propõe. Isto não significa que as eleições não sejam importantes, mas as funções que servem são diferentes das funções convencionais, isto é, o controlo sobre o governo.
Esta filosofia política pode ser aplicada às vigarices no uso das vacinas. Em boa verdade, trata-se de um fenómeno típico da cultura política portuguesa, mas que não afeta a eficácia do plano de vacinação. Trata-se de poucas centenas em centenas de milhares que anteciparam o uso da vacina.

Mas fez mal o Dr. Francisco Ramos que, racionalmente, desvalorizou este comportamento. E fez bem o Vice-Almirante, quando se responsabilizou pela seriedade do processo e ameaçou punir os infratores. De resto, o Presidente, inteligente como é, percebeu o risco da falta de reação às infrações, empoladas pela comunicação social cuja preocupação é chafurdar na podridão.
A insistência nesta atitude por parte das televisões e jornais fez passar a ideia do completo descontrolo do governo e do seu plano de vacinação. E quem faturava era o populismo que prometia ao povo uma mão de ferro para lidar com os infratores. Querem propaganda eleitoral mais eficaz?...

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