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O valor das palavras e das atitudes

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O valor das palavras e das atitudes

Voz à Saúde

2020-05-23 às 06h00

Humberto Domingues Humberto Domingues

As palavras têm um valor próprio e adequado às circunstâncias. Por isso o uso indevido e de forma corrente de expressões e palavras, tira-lhes importância, significado e desgastam o seu conteúdo.

É precisamente o que tem acontecido nestes momentos da “Pandemia” e a mutilação que temos sofrido pelo “SARS-CoV-2 – COVID-19”. No início de toda esta “convulsão”, a Sociedade Civil começou com manifestações de aplausos e de apoio, desde as varandas de casas e prédios, a aplausos nas filas dos Super e Hipermercados, quando surgia um Profissional de Saúde. Acreditamos que estas manifestações tenham sido sentidas. Alguns articulistas da Imprensa diária e mesmo semanal, têm apreciado o esforço dos Profissionais de Saúde, nas difíceis situações em que actuam, tratando e cuidando os doentes, e neste particular, agora, os doentes e infectados com COVID-19. Alguns Profissionais de Saúde, entre os quais muitos Enfermeiros, ficaram infectados e adoeceram também, decorrente da exposição que sofreram por inerência das suas funções.

Por outro lado, quem tem raramente usado palavras de apoio, de incentivo e de reconhecimento, tem sido a Srª. Ministra da Saúde e o Sr. Primeiro Ministro. E mesmo quando usam estas palavras, elas estão tingidas de demagogia, cinismo e aproveitamento político. Para além das palavras “ocas e vans”, as atitudes que são tomadas, confirmam ainda mais esta pobreza, desadequação e futilidade.

A confirmar o que dizemos, está a triste realidade, apresentada pela Srª. Ministra da Saúde, há umas semanas atrás, ao propor-se contratar Enfermeiros, em contratos de quatro meses, a 6,42€/hora. E a demonstração de falta de respeito por esta Classe, que tal como no passado, continua a dar muito de si ao SNS. Os Enfermeiros são técnicos altamente qualificados e não podem nem devem ser contratados a “preço de saldo”, para tratar e cuidar de doentes, particularmente num momento muito difícil, contagioso e agressivo, devido à “Pandemia SARS-CoV-2 (COVID-19)”. Este valor monetário de contratualização, confirmam a falta de estímulo, para encabeçar na primeira linha o combate à “Pandemia”.

Apesar deste momento crítico, em termos de Saúde Pública, o Governo e o Ministério da Saúde não se envergonham de tamanho disparate e ingratidão em contratar Enfermeiros por este valor? É humilhante o papel em que se coloca o Governo e o Ministério da Saúde na forma indigna e despropositada que, com leviandade procura contratar Enfermeiros nestas condições. A quem chamam “heróis”, podem-se contratar a 6,42€/hora? Que agressão, indignidade e desvalorização, pelo trabalho dos Enfermeiros!

No “Dia Internacional do Enfermeiro”, a Srª. Ministra da Saúde disse, expressamente: “Reconheço que as aspirações da Profissão de Enfermagem são muitas, têm colhimento da maioria da população e será necessário um grande esforço da parte de todos nós, para conseguirmos construir soluções que permitam responder-lhe nos tempos que aí vêm.”
Mais uma vez, estas palavras não são confiáveis, porque:
1- Esta mensagem é de circunstância, face à data comemorativa e mal lhe ficaria se não a fizesse no “Dia Internacional do Enfermeiro”
2- Na linguagem não verbal, expressa bem a contradição entre o que pensa e o que verbaliza;
3- O constrangimento é grande e claro por ter que se dirigir aos Enfermeiros, nunca referindo a Ordem dos Enfermeiros nem o nome da Srª. Bastonária;
4- Sabemos qual foi o passado da Srª. Ministra da Saúde a tratar e resolver os problemas dos Enfermeiros;

Nestes últimos dias, mais uma pérola deste Ministério da Saúde, através do Sr. Secretário de Estado, Dr. António Sales, afirmando categoricamente que os Profissionais de Saúde tinham sido todos testados ao “COVID-19”, sempre que estiveram em contacto com algum doente. Afirmação esta que foi desmentida pela Ordem dos Enfermeiros e dos Médicos.

Infelizmente, usando a “Pandemia COVID-19”, o Governo e Sr. Presidente da República têm feito política a olhar para os calendários eleitorais e lugares na Europa, usando o esforço, dedicação e altruísmo dos Profissionais de Saúde, não lhes reconhecendo, no entanto, nem melhor remuneração nem melhor carreira.

Toda esta agressão que esta Pandemia nos provocou, mostrou-nos uma outra vertente positiva e útil para Todos: a demonstração da necessidade de se ter um serviço de saúde público, e a necessidade de se repensar a administração e organização da saúde a nível Hospitalar e Cuidados Primários, mas também e essencialmente, a nível da Comunidade e das Instituições Sociais, IPSS’s e particular, onde os Enfermeiros são imprescindíveis.

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