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O valor das pessoas

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O valor das pessoas

Escreve quem sabe

2019-06-14 às 06h00

Jorge Dinis Oliveira Jorge Dinis Oliveira

Sempre desconfiei das estórias do “self made men”. Não das que descrevem as dificuldades enfrentadas e nem sempre ultrapassadas. Essas sei serem reais. Refiro-me às estórias com apenas um protagonista, o narrador. Onde todos os obstáculos que se colocaram perante o herói foram ultrapassados graças à sua arte, astúcia ou perícia. Nestas estórias não há espaço para mais personagens ou, havendo, são sempre figurinos. Sejam estórias de “startups”, clubes de futebol, IPSS ou uma qualquer outra forma de organização coletiva, elas são contadas incessantemente.
Sempre desconfiei que algures nessas estórias haveriam mais protagonistas. Podem ser os suspeitos do costume, pais, irmãos ou um conjugue que nos incentiva a avançar com uma ideia e nos apoia quando o ânimo começa a faltar. Ou ainda um amigo que se torna sócio ou um sócio que se torna amigo e facilita todo o processo materialização de uma ideia.
Por isso, e sem hesitações, aceitei envolver-me na organização daquela que foi a primeira conversa - “BNI Best Talks” – O Valor das Pessoas - que decorreu no passado dia 5 de junho no Centro de Negócios Ideia Atlântico.
O mote estava lançado! Queríamos discutir o papel das pessoas que nos rodeiam na criação, crescimento e recuperação de negócios e comunidades. Esquecer a visão egoísta tantas vezes discutida e focarmo-nos no papel das relações humanas.
Tive assim o privilégio e a oportunidade de assistir a uma conversa entre Filipe Macieira, cofundador da cerveja artesanal Letra; Artur Feio, administrador da Carmo Wood e João Real, cofundador das comunidades Bracara e Alcaides Crossfit.
Pude ouvir o “Letras” descrever o papel que o pai e os amigos deste tiveram tanto no arranque da produção da cerveja como na criação dos primeiros embaixadores da marca. A importância de ter um sócio e amigo que partilhe a mesma visão. Com Artur Feio pude ouvir a descrição da camaradagem vivida entre todos os colaboradores da Carmo Wood após os terríveis incêndios de 15 de outubro de 2017. Como em menos de um ano, com trabalhadores que arregaçaram as mangas, não baixaram os braços e se entregaram completamente à recuperação da empresa, foi possível erguer uma nova fábrica. E ainda, João Real, com uma experiência diferente. Como criar, praticamente do zero, duas comunidades de pessoas, cujo único ponto em comum é o de praticarem “crossfit”. Ele explica: com paciência, um a um, criar um espirito de entreajuda e valorizar a superação. Todos têm espaço para aprender e para ensinar e que todos, apesar das diferenças, quando entram na comunidade, são iguais.
As estórias de sucesso deles não são egocêntricas, não envolvem a aquisição de novos equipamentos, nem a implementação de novos “softwares”. Envolvem sim pessoas que contribuíram para a criação, crescimento e recuperação destas organizações. É destas estórias que gosto de ouvir, sobre o valor das pessoas. Afinal, foi através da cooperação que o Homo Sapiens se tornou a espécie dominante no planeta Terra.
Depois de os ouvir saí de lá mais convicto. Venham as máquinas, venham os algoritmos que, no futuro, como no passado e no presente, o valor das organizações estará nas pessoas.

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