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O valor relativo de uma democracia que explora os pobres e protege os ricos

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O valor relativo de uma democracia que explora os pobres e protege os ricos

Escreve quem sabe

2019-04-25 às 06h00

Humberto Domingues Humberto Domingues

Hoje celebramos os 45 anos sobre o 25 de Abril de 1974.
Uma revolução, que ao longo de vários episódios seguintes, instaurou a Democracia em Portugal. Uma democracia que nos levou à Europa, à modernização e à melhoria da qualidade de vida dos Portugueses. Uma democracia que possibilitou, passados 5 anos, a criação e o nascimento de um Serviço Nacional de Saúde (SNS), que nos orgulha e enobrece perante o Mundo. E como o SNS, tantas outras realidades que possibilita- ram aos Portugueses e a Portugal modernizar-se e afirmar-se na Europa e no Mundo, seja através das Universidades, da indústria, da construção naval ou outras disciplinas.
Mas hoje, passados esses 45 anos, que valor tem esta democracia que vivemos? Tem um valor absoluto, ou um valor relativo?
É indiscutível a pluralidade de opiniões que os cidadãos podem ter e emitir. É indiscutível, as condições de vida, de forma genérica, que a população alcançou e tem. Melhorou o acesso à Saúde e Educação. E tantos exemplos se poderiam dar….
Mas… também, nesta pluralidade de pensamento, de atitudes e comportamentos, o que já vivemos?
• Três situações de “bancarrota”, com necessidade de recurso ao Fundo Monetário Internacional (FMI);
• Corrupção que abala o sistema político, económico e financeiro, levando até à prisão de um Primeiro-Ministro. Onde o tráfico de influências em inúmeros sectores da Sociedade Portuguesa, são uma realidade inquestionável. Coisas que não são “raríssimas”;
• Populações que morrem queimadas e indefesas, onde o Estado falhou na defesa dos seus Cidadãos. E depois tarda ou nunca aparece a indemnizar e a ajudar as pessoas que ainda vivem agarradas às raízes da esperança, num interior desertificado, mas onde gente humilde, mas séria, abnegada, sepultaram lágrimas, familiares e anos de vida;
• A “casta de políticos”, desde o poder local, ao poder central, deputados e outras variáveis destes acomodados ao sistema, melhoraram substancialmente os seus proventos, as suas condições económicas, a sua qualidade de vida e o seu património; Legislando em proveito próprio, isentando-se de impostos e outros subsídios, ajudas de deslocação, de integração, etc., etc., etc.
• A Justiça tornou-se mais cara e inacessível a qualquer cidadão, quando deveria ser um baluarte de uma democracia moderna. Os Cidadãos ou ficam depauperados para poder reclamar e exigir na justiça, os seus direitos, ou não tendo proventos para o fazer, não reivindicam os seus reais direitos;
• Vemos e sentimos um desinvestimento brutal na Educação e na Saúde. Listas para primeiras consultas e cirurgias, com anos e anos de atraso;
• Aumentos substanciais nas carreiras dos políticos e em contraponto, desvalorização salarial e das carreiras de Enfermeiros, Professores e outras classes profissionais;
Tantos e tantos exemplos que poderíamos dar e escrever, perguntamos novamente, se esta Democracia tem um valor absoluto, ou um valor relativo?
Todos temos com certeza uma opinião! Mas estaremos, nós Cidadãos, cada vez mais indefesos, vemos o desaparecimento da classe média, o empobrecimento e envelhecimento de uma Sociedade, disponíveis e satisfeitos a pagar estes e outros custos de uma democracia como a que temos? Uma democracia que sustenta 230 deputados, cuja justificação é muito discutível. Uma Democracia que sustenta um sem número de generais de um exército sem guerra, de um número infindável de políticos a auferirem chorudas reformas e subvenções vitalícias. E ao comum cidadão, é exigido cada vez mais, um número de anos de trabalho e contribuição para uma Segurança Social, cujo valor de aposentação está em risco e com valores reduzidos, depois de uma vida de árduo trabalho, sacrifícios e limitações.
É esta a Democracia e o estado de um Estado e de uma Nação, que sonhamos e construímos todos os dias, quando produzimos trabalho e riqueza, no nosso posto de trabalho?
Carece a nossa Democracia de uma refundação, de uma reflexão profunda e de uma reforma?

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