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O vira dos Esqueletos

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O vira dos Esqueletos

Ideias

2018-06-26 às 06h00

João Marques João Marques

Nesta época de festas tradicionais e populares não faltam as concertinas, os bailes e toda a folia que cabe na alma de um povo. Estando todos convidados a tomar parte nas celebrações, há, todavia, uns quantos que bem se podiam escusar de aparecer. Sem convite, mas com a má educação típica dos rufias de brega, lá se dão a conhecer da forma mais deselegante possível. Este ano foram os esqueletos, como carinhosamente são conhecidas as heranças negras do tempo do mesquitismo, que se quiseram impor à vontade popular e estragar a festa.

Na passada semana soube-se que a Câmara Municipal não viu os seus argumentos atendidos pelo tribunal de recurso e terá de pagar um valor a rondar os seis milhões de euros ao consórcio responsável pela construção do estádio municipal, elevando o seu custo total bem para lá dos 150 milhões de euros. Sim, esse mesmo, construído nos idos de 2003/2004 e que, 15 anos depois, continua a gerar novas faturas, embora o empreendimento esteja, como todos nós, a envelhecer. É um facto que já se sabia que isto poderia acontecer e que o atual executivo já tinha interiorizado a séria possibilidade deste desfecho negativo, mas não há nada tão inapelavelmente doce como a confirmação sonora de uma vitória ou tão azedo quanto o estrondoso ribombar da derrota, mais a mais quando tal derrota importa dispor de (muito) dinheiro de todos nós para acomodar as lamentáveis decisões de uns quantos.
Eis, por isso, a confirmação da entrada em cena de um folião não confirmado no mais antigo e genuíno S. João de Portugal. É pena a sua folia ser a nossa desgraça. Com mais um rombo de milhões da autoria do PS, a gestão atual da Coligação Juntos por Braga e a população bracarense saem seriamente prejudicadas na sua capacidade de gestão e na liberdade de condução dos destinos do concelho. E é bom sublinhar e relembrar quem são os responsáveis por mais uma péssima notícia para Braga, porque são os mesmos que, sem vergonha, se apresentam nos fóruns públicos de debate e discussão a exigir mais investimento, mais ação, mais soluções, sem sequer terem a decência de reconhecer que é difícil fazer mais com (cada vez) menos.

Ficou este esqueleto a bailar alegremente o vira minhoto, mas há um outro que parece ter sido enterrado de vez.
Como os bracarenses bem sabem, a saga do estacionamento à superfície é um dossier que dura há muito tempo. Todos se lembrarão da decisão do PS de conceder a uma empresa privada a exploração do estacionamento pago nas ruas da cidade. O que se pretendia era antecipar uns quantos milhões de euros à porta das eleições autárquicas de 2013, em claro desfavor do interesse público. Recorde-se que a autarquia possuía recursos humanos (a Polícia Municipal) preparados para levar a cabo a tarefa de controlar e fiscalizar as zonas em que o estacionamento estava condicionado ao pagamento de uma taxa, sendo incompreensível o recurso a terceiros. E sublinhe-se a rigidez do contrato com a dita empresa que deixava o município sem possibilidade de agilizar a gestão dos espaços de estacionamento pago à superfície, dado que a lógica era a da receita expectável do privado e não a da política de mobilidade do concelho.

A acrescentar a este panorama, e numa decisão insondável, o executivo socialista decidiu aumentar desmesuradamente o número de ruas em que o estacionamento seria sujeito a pagamento, penalizando ainda mais os bolsos dos bracarenses e sem qualquer contrapartida em matéria de serviço público de transportes.
Ricardo Rio prometeu e cumpriu o que disse nesta matéria. Mal entrou em funções revogou o despacho que alargava o número de ruas sujeitas a pagamento e, logo que lhe foi contratualmente possível, terminou a concessão ao privado, resgatando para a autarquia a liberdade de definir e gerir este assunto de inquestionável relevância. Como era previsível, a empresa recorreu aos tribunais por discordar das decisões do município, o que fez com que o processo se arrastasse durante uns anos, gerando um nefasto impasse no enquadramento final da polémica questão.

Felizmente, no caso deste esqueleto do passado, a Câmara Municipal viu as instâncias judiciais darem-lhe razão, o que nos permite descartar a eventual necessidade de desembolsar um montante que poderia chegar aos quase 72 milhões de euros, pelas contas da empresa.
É caso para gritar, à moda do vira minhoto, “E Virou”!
O problema maior é que a composição do rancho dos esqueletos ainda não é totalmente conhecida e, independentemente dos esforços desta autarquia, o facto é que muitos viras ainda se anunciam para o futuro.
A má sorte de todos nós é que o papel de “bombos da festa” poderá sobrar novamente para os suspeitos do costume: os contribuintes…

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