Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Obviamente, demitam-se

Portugal de pernas para o ar!

Ideias

2014-06-27 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Demita-se a direcção da Federação Portuguesa de Futebol, demita-se o seleccionador, demita-se a equipa técnica e toda aquela gente que acompanhou a selecção. Sei que é apenas um jogo de futebol e que este tem servido muitas vezes para sublimar os fracassos do país naquilo que é verdadeiramente importante. Mas nesta austera, apagada e vil tristeza, como diz o poeta, uma vitória era um conforto.

Foi deprimente o que se viu contra a Alemanha e contra os USA. Os jogadores arrastavam-se no campo sem tino, sem força, sem objetivos. A Federação tem de explicar porque escolheu jogadores que não jogam nos seus clubes, porque passou mais de uma semana nos Estados Unidos, indo instalar-se num clima ameno, quando os jogos em que participava ocorriam em clima tropical e equatorial com temperaturas superiores a 30 graus e humidade muito elevada.

Terá de explicar ainda como foi possível quase metade da equipa se ter lesionado, mais parecendo pacientes saídos duma enfermaria de cuidados intensivos. Entravam e saíam e logo se lesionavam, sem bola e sem contacto com os adversários, como aconteceu com Postiga e André Almeida.

Tudo isto é demasiado estranho, irracional e absurdo, mas acontece recorrentemente em Portugal e por isso deve ter uma explicação. É um traço da cultura portuguesa. Os portugueses, por regra, não assumem as suas responsabilidades e não estão habituados a fazer uma avaliação dos resultados; não prestam contas. Quem está no topo tem sempre razão, decida o que decidir, faça o que fizer. Se erra, a culpa é dos outros, da falta de sorte e ,neste caso, dos árbitros.

O selecionador já ensaiou uma desculpa deste tipo, sublinhando que não é climatologista. Mas o que anda a fazer aquela gente toda? O país precisa duma explicação, já que a Federação Portuguesa de Futebol é uma associação de interesse público.

Outro traço da cultura portuguesa é deficiência congénita em organização e gestão. Os portugueses, desde os operários da construção civil aos cientistas, quando emigrados e integrados em organizações que funcionam, trabalham e são tanto ou mais eficientes que os outros. Os jogadores de futebol não fogem à regra. Essa foi a vantagem de Scolari, o qual de um amontoado de primas donas conseguiu fazer um grupo de trabalho motivado, integrado e com objectivos bem definidos. E por isso se dizia que era conservador; porque mudar significava começar de novo.

Carlos Queirós falhou, como, por certo, falharia Mourinho, se fosse selecionador, apesar da sua personalidade forte e autocrática.

Finalmente a selecção é atravessada por interesses, tal como o aparelho de Estado e lutar contra eles é muitas vezes difícil, mesmo por parte de um homem casmurro e teimoso como é Paulo Bento.

E posto isto, na minha opinião, o próximo treinador da selecção nacional deve ser um estrangeiro, conhecedor da cultura portuguesa, mas afastado das suas tricas e manhas.

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