Correio do Minho

Braga,

Oferta educativa e mercado de trabalho - notas do quotidiano do AECA

Amigos não são amiguinhos

Voz às Escolas

2016-10-03 às 06h00

Hortense Lopes dos Santos

Hoje, proponho-me partilhar convosco alguns ecos de mercado de trabalho da nossa região que, ano após ano, chegam à direção deste Agrupamento.
Sem pretensões de cientificidade quanto a estatísticas, estudos aprofundados, variações de oferta/procura e outros valores que os habilitados melhor fornecerão, deixem-me partilhar convosco estes dados, melhor dito, estes factos singelos do dia a dia do meu Agrupamento vindos de empresas da nossa região, afinal de contas as forças vivas produtoras da riqueza de que todos precisamos.

No dia sete do passado mês, chegou à direção do Agrupamento um pedido de uma conhecida serralharia manifestando total disponibilidade para receber formandos, com cursos profissionais, na área de produção, orçamentação ou AUTOCAD.
No mesmo dia, uma empresa de eletrónica do concelho de Vila Nova de Famalicão pediu-nos informação sobre a formação de eletrónica da escola, bem assim contactos dos alunos desta área que completaram o 12º ano para marcarem entrevistas de trabalho.

No dia dezanove de julho, um ex-aluno da escola, inserido no mercado de trabalho, pedia-nos informação para conclusão, em regime pós-laboral, do curso de electrónica, automação e computadores interrompido num passado recente para começar a trabalhar…
Estes três casos, entre outros que chegam com alguma frequência ao correio institucional do Agrupamento que dirijo são, a meu ver, reveladores da dessintonia das ofertas educativas e do mercado de trabalho na nossa região.

A esta altura, quem estiver a ler estas linhas, perguntará legitimamente:
“E então porque não faz alguma coisa?”
“ Porque não são criados cursos de serralharia, eletrónica, eletrotecnia?”
“ Porque não responde o Agrupamento às necessidades dessas pessoas?”.
A resposta é simples, não pode.
Não pode ou porque a tutela não autoriza e o quadro legal não permite que a escola o faça, ou porque o número de candidatos não justifica a abertura dos cursos (mínimo de constituição de uma turma do ensino profissional - 24 alunos), ou porque não possui os necessários recursos, materiais e humanos.

Uma coisa é certa: ainda que sem respostas, as conhecidas empresas de serralharia e electrónica da região e o ex-aluno do Agrupamento continuarão a pagar os seus impostos sem que a escola pública responda às suas necessidades.
Talvez este seja mais um caso daqueles em que, como dizia o Poeta “Que outro valor mais alto se alevanta”.1

Pela nossa parte, bem gostaríamos de lhes responder afirmativamente a todas as suas pretensões, bem marcada que está no nosso projeto educativo (PE) a ligação do AECA ao mercado de trabalho e fazendo jus à tradição forte e rica, cujas origens remontam à criação da Escola de Desenho Industrial (1884).

Na hora estamos a conjugar tradição e modernidade, assim tenhamos condições para tal.
Permitam mais um registo - o elevado número de alunos que entraram no ensino superior, nas universidades e institutos politécnicos, continuando a sua formação e preparação para o mercado de trabalho.
Bom ano e bom trabalho para todos.


1 “Os Lusíadas”, Canto I

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