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Ideias Políticas

2012-04-10 às 06h00

Carlos Almeida

Dizem que, quando a direita chega ao poder, o Partido Socialista oportunamente se desvia para a esquerda.

Dizem que, quando a direita está no poder, as políticas de direita (!) são mais agressivas e vertiginosas do que as políticas de direita (!) que o Partido Socialista impõe.
Dizem também que, apesar de tudo, o Partido Socialista, quando a direita está no poder, é a garantia de que “eles” não vão tão longe quanto gostariam.

Talvez sejam apenas considerações desprovidas de sentido, mas, na verdade, uma parte significativa dos portugueses ainda esperava que este Partido Socialista desse algum valor ao seu epíteto, à sua (frágil) matriz ideológica.

Ao longo destes nove meses de governo de coligação PSD/CDS, o PS teve várias oportunidades para mostrar que, afinal, não alinhava com esta política, que, apesar das recentes responsabilidades governativas, estava arrependido e queria, agora, ser diferente, mudar de opções. A triste constatação é que em nenhuma dessas oportunidades o PS soube fazê-lo. Em todas elas disse “nim”, sem hesitar por um segundo que fosse. Querendo descolar-se das políticas do governo, aplaudiu, sorrateiramente, tudo o que foi sendo aprovado.

Viabilizou o desastroso Orçamento do Estado com a famosa abstenção violenta (e com isso aprovou todos os cortes e penalizações para os portugueses).

Anunciou, comprovando-o na votação na generalidade, uma nova abstenção nas alterações ao código do trabalho, chegando mesmo a admitir que, na discussão na especialidade, votará favoravelmente o seu conteúdo.

A poucos dias de se votar na Assembleia da Republica um novo tratado europeu (o denominado pacto orçamental), o líder “socialista” vem a público, em tom ameaçador, avisar PSD e CDS que nem se atrevam a chumbar a adenda do PS - essa fórmula mágica que irá resolver os problemas do país. Se o fizerem, pensei eu, o PS votará contra o Pacto Orçamental! Não, afinal não é assim… Parece que, independentemente das propostas serem aceites ou não, o PS já anunciou que vai votar favoravelmente o documento, legitimando um dos maiores ataques de sempre à soberania de Portugal.

É caso para perguntarmos se esta coligação governativa não será mais abrangente. Se não inclui também o Partido Socialista, que, estando na “oposição”, está, nos momentos-chave, com as opções da direita.

Não relato isto como se estivesse surpreendido. Foi a isto que, infelizmente, o PS nos habituou. E o PS de António José Seguro não foge à regra.

Relato isto para que se registe, para que se não esqueça. Para que, no momento em que ouvirmos a direita lembrar que o PS governou nos últimos seis anos e, como tal, é o maior responsável pela situação do país, saibamos que o PS responderá que o país só está assim porque PSD e CDS vão mais longe do que a troika.

Não sai disto! Arremessam responsabilidades, apontam dedos, trocam acusações e, sem que se dê por eles, vão fazendo o seu caminho. O caminho que traçaram com a troika. O caminho de regresso ao passado. Das privatizações ao aumento da exploração no trabalho. Da destruição dos serviços públicos ao enriquecimento crescente de poucos grupos monopolistas.

Quando a direita está no poder, o Partido Socialista está, também, no poder. Dentro ou fora do governo! O capital manda, PSD, PS e CDS cumprem!

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