Correio do Minho

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Ideias

2015-12-15 às 06h00

Jorge Cruz

1. Ao assumir o estatuto de fundador de Serralves, o Município de Braga tem a expectativa de receber “um conjunto de benefícios destinados a promover uma participação activa num projecto de objectivos ambiciosos, cujo sucesso é reconhecido nacional e internacionalmente”.
E é assim porque, conforme sublinhou na altura o presidente da Câmara, e acertadamente, “a Fundação de Serralves é uma referência internacional no domínio da arte contemporânea e que tem desenvolvido diversas iniciativas que cobrem não só a esfera cultural, mas também os domínios da intervenção social e ambiental, onde tem desenvolvido projectos que se assumem como exemplares e estruturantes para todo o país”. Terá sido, pois, por essa razão central que Ricardo Rio enfatizou que esta “foi uma luz de oportunidade que se abriu para Braga”.
As teorias expostas neste contexto pelo edil bracarense têm inteira correspondência com a realidade, designadamente no que concerne à vasta e enriquecedora actividade pluridisciplinar de Serralves que, como é notório, não se esgota na formação de públicos, sequer no domínio cultural. A questão nuclear da adesão do município de Braga ao “clube” de fundadores, que aproveito para exaltar, é outra e tem mais a ver com a autarquia do que propriamente com a Fundação.
Esta associação à Fundação de Serralves pode, de facto, ser extraordinariamente benéfica para Braga se a autarquia quiser e souber aproveitar todas as potencialidades, todas as vantagens que o estatuto lhe confere. Não pode é assumir uma atitude passiva, uma postura de expectativa, confiando que outros vão executar o seu trabalho, aquele que é da sua inteira competência.
Beneficiar do know-how, do saber e da experiência, da rede de contactos e de todas as regalias que o novo estatuto concede constitui, por si só, uma enorme vantagem competitiva para a Câmara de Braga. Mas a qualidade e quantidade do aproveitamento que daí vai advir dependerá, naturalmente, do empenho que será colocado no desenvolvimento do projecto, ou seja, no trabalho que futuramente será produzido nas diversas áreas de intervenção.
Ricardo Rio assegura que “com mais este passo estamos a demonstrar que, para o futuro, as políticas culturais da Autarquia serão cada vez mais arrojadas e pioneiras, indo ao encontro das apetências dos cidadãos”. Esperemos que a convicção do autarca corresponda a realizações efectivas, com a marca de Serralves mas com o carácter e as características locais, isto é, que as futuras realizações não se esgotem em meros repositórios daquilo que vai sendo (bem) feito no Porto.
Por outras palavras, a experiência do saber é bem vinda quando se trata de colocar no terreno projectos de promoção e divulgação cultural e ambiental mas não pode nem deve sobrepor-se, anulando a actividade do município nessas áreas. Além do mais porque Braga já dispõe de eventos marcantes e de qualidade, embora alguns deles a necessitar de requalificação e de maior empenho.


2. O II Fórum da União de Exportadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (EU-CPLP) vai decorrer nos próximos dias em Braga, no Parque de Exposições, o que constitui um momento ímpar para os empresários darem a conhecer as suas empresas e tomarem conhecimento com variadas oportunidades de negócio.
Do ponto de vista da projecção e visibilidade, este encontro empresarial reveste-se indiscutivelmente de enorme relevo para o concelho bracarense, sendo certo que enquanto plataforma de negócios e de promoção de contactos, inclusive a nível institucional, também terá grande interesse para o universo empresarial. Nesta perspectiva, será de igual modo outra luz de oportunidade que se acendeu para Braga.
A escolha da capital do Minho para a realização da segunda edição do Fórum (a primeira foi em Lisboa) é de saudar, até pelo que isso significa do ponto de vista da descentralização. Também de louvar é a intenção da União de Exportadores de “dar uma nova dinâmica à CPLP e dinamizar o sector privado”, tanto mais que, conforme assegura o seu presidente, Mário Costa, “há vontade dos países membros em diversificar a economia dos mercados”.
Mas ao falar-se da CPLP não se pode olvidar a vertente política desta organização internacional que tem como objectivo primordial o aprofundamento da amizade e da cooperação entre os seus membros. Acontece que com a adesão da Guiné Equatorial, em Julho do ano passado, se instalou a polémica no seio de uma organização até aí ligada pela língua portuguesa, de resto como decorre do seu nome.
Mais de um ano volvido sobre a data da entrada daquele país africano, onde a língua portuguesa de facto não é falada, a verdade é que das três condições impostas para a adesão apenas uma foi cumprida - a introdução do português como língua oficial. Aparentemente esquecidas, pois nunca foram cumpridas, ficaram a abolição da pena de morte e o ensino de português. E é também desta forma que, infelizmente, se confirma que ainda há quem privilegie a possibilidade de novos negócios em detrimento dos direitos humanos.
Críticas que, avisadamente, foram feitas aquando da preparação da cimeira de Dili, onde ocorreu a adesão. Nessa altura já se clamava quer pela ausência de direitos humanos e políticos, quer pela natureza ditatorial do regime de Obiang. O problema é que nada mudou.

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