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Orçamento e outra coisas

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Orçamento e outra coisas

Ideias

2020-10-23 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Começo esta breve crónica de hoje com uma experiência pessoal; desde há alguns dias, poucos, tenho estado doente. Enfim, um quadro compatível com o Covid 19. A dúvida instala-se – será? O que fazer? Como saber? Têm sido tantas, e tão comuns as acusações à Saúde 24, que fiquei com medo do processo.
Através da net, de uma forma muito fácil e imediata, confirmei que deveria ser testada. Ok, e depois? Contactei com um laboratório privado; disseram-me que com um pedido formal do médico de família, ou da Saúde 24, o fariam de imediato, e com um custo zero. Santo Deus, vou entrar num rodopio, de horas e horas de tentativas! Tantas histórias que se ouvem, não tenho tempo, principalmente não tenho paciência!
Lá acabei por ligar para a Saúde 24. A chamada foi atendida de imediato. De uma forma muito delicada, fizeram as questões que entenderam e fui informada exatamente do que deveria fazer, e das recomendações que se seguiriam. Ao todo, deverá ter durado 5 minutos, funcionou na perfeição, os interlocutores foram corretos e simpáticos; e não, não conhecia ninguém! Num dos dias reportados como atingindo um dos máximos da pandemia, o sistema funcionou muito bem. Tem de ser dito. E sublinhado.
Claro que é muito mais divertido dizer mal, carregar nas cores escuras e criticar. O caso da Stayaway Covid é um exemplo. Trata-se de uma aplicação portuguesa, desenvolvida pelo INESC TEC do Porto, um instituto de pesquisa e desenvolvimento da Universidade do Porto. É uma aplicação como outras diversas desenvolvidas e divulgadas noutros países, por exemplo, a Immuni na Itália, a Corona Warn na Alemanha ou a Covid Tracker, na Irlanda. Foram lançadas por junho/julho, e descarregadas por milhões de pessoas. Aliás, estas três apps já estão a funcionar em rede; Portugal, Espanha, a Bélgica e a Dinamarca, desenvolveram, entretanto, um sistema não centralizado de dados obtidos por rede móvel, mas deverão aderir à rede, no contexto aliás de uma diretiva comunitária de 2011 sobre o intercâmbio de informações científicas entre Estados Membros no âmbito de redes voluntárias.
Em Portugal, como de costume com o que é novo ou diferente, levantou-se uma onda de críticas e receios, para o que contribuiu a ideia de uma obrigatoriedade sem sentido. O barulho á volta de questões como a privacidade faz sorrir, quando se consultam tantos blogs e redes sociais, onde as pessoas afixam as mais variadas informações pessoais, ultrapassando por vezes limites sociais e culturais, e dão as suas opiniões sobre os mais diversos factos da vida. Não se trata, como é óbvio, de alguma coisa que assegure a cura ou a ultrapassagem do Covid 19, mas se a tecnologia puder ajudar a controlar a disseminação, se permitir o reforço da cooperação social e da consciencialização da sua necessidade, qual o problema?
O Orçamento para 2021 está em discussão, e como vai sendo característica por estes dias incertos, é diabolizado à direita e à esquerda. Que tem demasiados apoios sociais, minimizando a atenção a dar ao setor privado, ou que é insuficiente na formulação das políticas de rendimento. Dos dois lados, se pintam também cores fortes, negras, e o Governo reage na mesma onda. Parece que todos gostamos das tragédias gregas…
Vejamos. Uma crise económica, tanto mais tão séria e incerta quanto esta em que estamos mergulhados, não se resolve com outra crise. É preciso confiança e estabilidade. A poupança é tradicionalmente e notoriamente baixa em Portugal, o que é por si só um problema; é bom que esteja a aumentar, mas neste momento, o mercado tem de reagir. A procura tem de crescer, sinalizando nova oportunidades para as empresas.
É fundamental que haja apoios sociais, porque as pessoas os merecem e a economia os justifica. A discussão sobre o salário mínimo tem barbas; a abordagem mais ortodoxa sublinha resultados negativos sobre o mercado de trabalho, mas outros estudos não confirmam essas teses. Por exemplo, na Alemanha, um trabalho muito recente mostra que teve efeitos positivos sobre a qualidade das empresas, induziu realocação dos trabalhadores para empresas mais eficientes e não levou a uma diminuição do emprego. Ajudar as empresas subsidiando permite a continuidade de níveis baixos de eficiência, e isso tem custos enormes. Mas como sempre, há que fazer escolha e definir prioridades: não se pode ter tudo, e não há almoços grátis.

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