Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Orçamento Sem Futuro

Um convite da Comissão Europeia para quem gosta de línguas

Ideias Políticas

2011-12-02 às 06h00

Pedro Sousa

Os últimos tempos foram marcados pela discussão do Orçamento do Estado para 2012.

Orçamento difícil, exigente, recessivo e, no meu entender, errado, profundamente errado nos pressupostos que enformam a sua elaboração.

A OCDE veio esta semana revelar as suas previsões económicas para a economia portuguesa para o ano de 2012. Nestas previsões, a OCDE anuncia uma contracção do PIB em cerca de 3,2%, no ano que vem, podendo a taxa de desemprego continuar a sua escalada e bater nos 13,8%.

Temos, assim, que estas previsões são mais pessimistas para Portugal do que as recentemente apresentadas pela Comissão Europeia (que apontavam para uma queda no PIB na ordem dos 3% em 2012 e do que as do Governo, que inicialmente indicavam uma contracção de “apenas” 2,8%. A isto acresce a maior taxa de desemprego de sempre no nosso país, a fazer fé nestas previsões da OCDE, a taxa de desemprego cifrar-se em 2013, nos 14,2%. Esta notícia pode até parecer estranha para todos aqueles que há poucos dias ouviram o Sr. Ministro da Economia, Dr. Álvaro Santos Pereira, afirmar alto e bom som, em pleno parlamento, que 2012 marcaria o fim da crise.

Infelizmente, esta má notícia pode não ser a última e podemos, como disse há uns tempos atrás numa crónica publicada no Jornal Correio do Minho, entrar numa espiral de austeridade desenfreada. Vários especialistas na matéria afirmam que a recessão portuguesa em 2012 nunca será inferior a 4%. Temos então que o abrandamento, a quase paragem do tecido económico nacional levará a uma cada vez menor receita fiscal a ser arrecadada e o Governo terá de lançar mão de novas formas de austeridade.

Este será, com a continuidade destas políticas, o caminho labiríntico que o Governo, indo atrás das orientações franco-alemães, escolheu fazer. Pena que o Governo não tenha estudado a história e não saiba que o Minotauro nunca conseguiu fugir do labirinto construído por Dédalo, tendo acabado por lá morrer sem alguma vez ter conseguido escapar.

Este é um caminho sem saída.

Recupero o raciocínio de há umas semanas atrás para o explicar: “...ao retirarmos rendimento às famílias enfrentaremos, naturalmente, uma redução no consumo, a que se seguirá, também naturalmente, uma redução da produção dos diferentes bens e serviços pois haverá uma quebra na procura dos mesmos, assim, serão cada vez mais as indústrias e as empresas que enfrentarão cenários de crise e de ruptura (sabendo que são muitas aquelas em que isso está na eminência de acontecer mesmo antes dos efeitos terríveis deste Orçamento de Estado), lançando milhares e milhares de pessoas no desemprego e agravando sobremaneira, e sem solução à vista, o cenário actual”.

Espero estar errado mas temo que este labirinto da austeridade a que o Governo entendeu subjugar os portugueses acabe por nos matar... não pela doença mas pela “suposta” cura que nunca o foi verdadeiramente.

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