Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Orquestra Nacional de Braga

Diplomas em tempo de 130.º aniversário

Escreve quem sabe

2018-10-17 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo

Fazendo uma breve análise do passado e presente da música no país podemos ver e comprovar que há muitos vazios. Um deles é a falta de identidade ou nacionalismo, já que maioritariamente se prefere a música estrangeira à nacional. E eu me pergunto: é tão medíocre a música portuguesa para ser castigada desta maneira? Pois, penso que não, já que a música portuguesa tem qualidade, há que saber descobri-la e, antes de tudo, há que identificar-se com ela. A música é uma das melhores maneiras de distinguir um povo, porque dela emanam todos os sinais de identidade possíveis, tais como tradição, costumes, sociologia, religião e cultura.
(“O Futuro da Música”
- Félix Alonso Cabrerizo, Correio do Minho, 21.04.1994)

Durante muitos anos tenho defendido a criação de uma Orquestra Sinfónica Profissional em Braga. Em 1990 comentava “Porque não a criação a longo prazo de uma Orquestra Sinfónica? Em Espanha todas as grandes cidades têm Orquestra Sinfónica. Porque não em Braga?”
(Correio do Minho, 15.04.1990).

“Gerar uma nova dinâmica cultural e comercial na região e atrair, cativar e fazer regressar tantos e tão bons músicos minhotos que temos espalhados pelo mundo.” (Correio do Minho, 13.04.2016).
“Onde estes jovens mostram que Braga tem excelentes músicos e que, no futuro, poderíamos contar com eles para formar uma qualificada Orquestra Sinfónica que brilhará permanentemente no Theatro Circo e nos palcos e Teatros do Minho.”
(Correio do Minho, 01.06.2016).

“Em eventos musicais, que têm muita tradição e de grandes dimensões artísticas, têm participado muitos jovens músicos bracarenses, que na sua grande maioria estudaram no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga.”
(Correio do Minho, 21.03.2017).

Quero clarificar duas coisas muito importantes. Primeiro, que estou a fazer uma exposição relevante sobre esta temática, Orquestra Sinfónica, para que cada qual faça a sua reflexão, não pretendendo criticar nem prejudicar ninguém. A segunda é que, sempre que falo de Braga, é num âmbito de cidade, concelho, distrito, região europeia e de nação, tem que ficar clara esta ideia pluralista.
Braga tem evoluído culturalmente, isto é um facto, criando-se uma certa dinâmica bastante interessante, que está à vista dos acontecimentos, com a intencionalidade de querer chegar mais ou menos a todas as sensibilidades culturais, afirmando que tem sido um bom prelúdio, uma boa abertura de ópera. Uma boa abertura de ópera desta caminhada cultural que tem muito caminho por percorrer para ser uma ópera acabada.
Por tudo devemos decidir se nos queremos afirmar como a 3ª capital mais importante de Portugal e aspirar a ter um nível de Capital Europeia da Cultura, inevitavelmente temos que apostar em algo que marque a diferença, uma “Orquestra Sinfónica Profissional”, coisa normal e natural nas mais importantes cidades e capitais da Europa.

Esta poderia ser a “Orquestra Nacional de Braga”, o nome tem um significado especial, Braga foi o berço e nascimento de Portugal, pela graça e contributo tão honorável do Arcebispado de Braga e da grande cidade de Guimarães. Esta orquestra com 40 concertos poderia dar uma dinâmica musical de relevância e atrairia muito público. Certamente que muitas pessoas dirão que é um projeto caro, que não temos público suficiente, que o Porto está perto, que este projeto é uma utopia; respeitamos todo o tipo de opiniões, mas digo que das utopias nascem e realizam-se os grandes sonhos e projetos.
As vantagens são muitas, pode criar riqueza, prestígio para a cidade, pode por mais jovens a estudar música a nível universitário, e uma coisa muito impor- tante, que é, tocar música portuguesa para assim os mais jovens conhecerem a cultura do país.

Quero dizer que as orquestras e grupos instrumentais que temos fazem um trabalho maravilhoso e têm o seu espaço e público, agora a Orquestra Nacional de Braga dava mais alento para trabalhar melhor.
Fica este desafio, esperemos que uma possível candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura abra uma janela de esperança.

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