Correio do Minho

Braga, sábado

Os Adultos (1) no Escutismo, segundo Baden-Powell (III)

Menina

Escreve quem sabe

2019-06-14 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

«Lembre-se o Chefe de que, além dos seus deveres para com os jovens, tem também um dever para com o Escutismo em geral.»
Baden-Powell, Auxiliar do Chefe Escuta, Edições Flor de Lis, 1ª edição, p.15.

Terminamos a crónica anterior referindo que a primeira obrigação do Chefe Escuta, no dizer de Baden-Powell é para com os jovens que lhe são confiados, já que a mimese, a educação pelo exemplo, é determinante no escutismo. Hoje, vamos partilhar a sua visão sobre a responsabilidade para com o Escutismo e a sua autorrealização na pirâmide das necessidades de Abraham Maslow (1908-1970).
Sendo a missão do escutismo ajudar o jovem a tornar-se um cidadão solidariamente ativo, à luz da fé que professa, procurando ser construtores de um mundo melhor e semeadores de paz, esta ação reflete-se diretamente nas comunidades locais, nacionais e internacionais. Neste sentido, os Chefes têm que ser capazes de se colocar ao nível desta missão e acima de todo de quaisquer sentimentos mesquinhos e ressentimentos pessoais, precisam de “ser homens de vistas suficientemente largas”.
É seu dever ajudar os jovens a interiorizar e a viver as regras do “jogo social espontâneo”, assumindo os papeis que são chamados a assumir nos diversos grupos, momentos e lugares. Cada adulto tem a sua própria área de ação, e quanto maior for o seu empenho e dedicação, também maior será a eficácia da sua ação educativa, junto dos jovens que lhe estão confiados.
Na realidade, só quando se procuram as mais altas metas educativas do Escutismo ou observando, uma dezena de anos depois, os efeitos da sua ação educativa, é que se pode avaliar a correção, ou não, das medidas que hoje tomamos.
O fundador remata esta relação Chefe Escuta - Escutismo de forma muito lúcida quando escreve: «Felizmente, por meio da descentralização e concessão de plena liberdade às autoridades locais2, evitam-se na nossa Obra, muitas formalidades burocráticas que têm sido a causa de irritação e queixas, em muitas outras organizações. Temos também a felicidade de possuir um corpo de Chefes Escutas dotados de larga visão nas suas opiniões e na sua lealdade para com o Escutismo em geral3».
A propósito da autorrealização e da felicidade Baden-Powell escreveu: «Houve um homem que ousou dizer-me que era a pessoa mais feliz do Mundo! Eu tive de lhe dizer que havia um ainda mais feliz - eu próprio!4»
É claro que, qualquer um destes dois homens, para podem fazer estas afirmações teve de vencer, no seu dia-a-dia, muitas dificuldades, mas a satisfação resulta, sobretudo, de enfrentar com êxito as dificuldades.
Não se deve esperar que a vida seja só um leito de rosas, pois, se assim fosse onde estaria o prazer de vencer com o nosso esforço? A vida não teria graça nenhuma.
Quem trabalha com jovens terá desilusões e reveses. Há que ter paciência e aprender com os erros. Deve-se suportar com paciência, críticas irritantes e empecilhos burocráticos até certo ponto, mas a recompensa há-de chegar.
A satisfação que se sente, por ter procurado cumprir o dever à custa de sacrifícios pessoais e de ter desenvolvido nos jovens carateres que lhe darão na vida categoria diferente, constitui recompensa tal, que mal se pode exprimir por escrito.
O fundador termia afirmando: «O crédito pela organização e divulgação do Escutismo, deve-se a este exército de trabalhadores voluntários. Nisto temos uma prova notável - embora muda - do excelente espírito patriótico que subsiste abaixo da superfície na maioria das nações. Estes homens [e mulheres] sacrificam o seu tempo e as suas energias, e em muitos casos também o seu dinheiro, à tarefa de organizar a educação dos jovens, sem qualquer ideia de recompensa ou louvor pelo que estão a fazer. Fazem-no, por amor da Pátria e dos seus semelhantes.5»

1 O Fundador não usava esta expressão, mas sim “chefe” ou “chefe escuta”.
2 Entenda-se as Juntas Regionais e de Núcleo.
3 Baden-Powell, Auxiliar do Chefe Escuta, Edições Flor de Lis, 1ª edição, p.18.
4 Ibidem, p.18.
5 ibidem, p.19.

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