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Os altos e baixos da vida

O primeiro Homem era português

Os altos e baixos da vida

Escreve quem sabe

2022-02-13 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Certamente que já o disse, em alguma fase menos positiva da sua vida, ou se não foi o caso, escutou de alguém, o seguinte desabafo, “Estou saturado/a de tudo”. Estar “saturado/a” é o mesmo que afirmar que está farto/a, e por conseguinte, “de tudo”, possivelmente, refere-se às várias esferas da vida quotidiana, a familiar, a profissional e/ ou até a social. Estar saturado/a é estar triste. É, talvez por assim dizer, um desgaste emocional e psicológico que “rouba” as forças físicas e domina os pensamentos. Uma espécie de labirinto sem saída, em que na fase inicial, ainda se tem forças e se está motivado/a para encontrar o caminho de saída, mas que com o passar do tempo, com os tantos percalços pelo caminho, se esmorece por que é “mais do mesmo”. Quando se está triste com o “que rodeia” (o mesmo que dizer no sentido global, com a vida), deixa-se de focar no que também se tem de bom, dando valor e especial atenção apenas às situações que más acontecem. Pensamentos sistemáticos e ininterruptos menos bons que por mais que não se deseje pensar, permanecem ativados na memória. E assim, passa, um dia, um mês, um ano, em que as emoções e memórias negativas, ganham destaque e poder, privando o fluxo normal de um estado psicológico e emocional e deixa de ser feliz.
Momentos “altos e baixos” da vida é comum a todas as pessoas. Há fases que duram mais, outras que passam mais rapidamente, mas indiscutivelmente todas passam… Não é saudável, preferir a solidão, por tempo indeterminado, a própria companhia. Não é benéfico, quando as memórias e pensamentos automáticos negativos, interferem no trabalho ou nas dinâmicas sociais, ao ponto de o /a limitar, “paralisar” ou perder o interesse, de tudo. Não sair, não tomar decisões, deixar fluir ao acaso, não se importar, não querer saber, não é o caminho e não vai “curar” a sua tristeza. Não vai resolver as suas questões emocionais, não o/a vai fazer sentir melhor, muito pelo contrario. Tome as “rédeas” da sua vida. Permita-se cuidar e a que cuidem de si. Quando se está numa fase menos positiva, permita-se expressar a sua tristeza a alguém em quem confia e que sinta que será apoiado/a incondicionalmente. Não tem de mostrar que “está sempre bem”, mesmo não sendo verdade. Ter alguém que se importe, e cuja presença dessa pessoa seja de “estar ao lado”, mesmo que em silencio ajuda muito. Um abraço sincero, dá coragem. Muito diferente, de uma partilha em que a pessoa com quem se mostra as fragilidades apenas sabe dizer: “Eu bem te avisei.”, “Estás assim só por isso?” , “Pronto, pronto, isso não é nada. Logo, logo, estás bem.” Todas as pessoas sentem de forma diferente, o que pode ser importante para alguém, pode não o ser para outra pessoa. Mesmo que alguém tenha uma visão catastrófica e exagerada (percebida “aos nossos olhos” como tal) de algo, é importante perceber e ter empatia que para aquele/a que está a sofrer ,não o é. Se está triste, permita-se chorar. O choro é terapêutico. Repare que quando, chora após alguns momentos fica mais calmo/a da tensão emocional. O ato de chorar é uma expressão sentimental. Após isso, siga em frente. Mesmo que não tenha vontade, saia de casa. Por mais que possa “custar e ser difícil” , obrigue-se a sair. Vista aquela roupa que tem guardado/a para um momento especial, ou vista aquela roupa com a qual se sente incrivelmente bonito/a. Mime-se. É expressamente proibido apontar defeitos e prime pelos elogios em frente a um espelho. Sentir-se bonito/a irá automaticamente elevar a sua autoestima. O “gostar de si” é o sistema imunitário da saúde mental. Faça de todos os dias, momentos especiais. Para tudo na vida há sempre uma “saída”, embora nem sempre seja visível, e os obstáculos teimam em surgir. Os períodos de tristeza, embora não desejáveis preparam muitas vezes, para outros caminhos porque se encerra um ciclo e abre-se outro. Quando o sentimento de tristeza é permanente e interfere nas atividades diárias é sempre importante ter o acompanhamento de um especialista de saúde mental. Para finalizar, cuide de si, em primeiro lugar e quando estiver restabelecido/a estará mais forte para tomar decisões que contribuíram mais para ser feliz.

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