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Os Caminheiros do CNE

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Os Caminheiros do CNE

Escreve quem sabe

2022-12-09 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

“O fim do Caminheirsmo é a Fraternidade e o Serviço ao Próximo.”
Baden-Powell



A partir deste princípio fundacional, B.-P. apresenta algumas linhas de orientação para a leitura do seu livro, que enquadra a vida dos Caminheiros, num prefácio, por ele próprio redigido, para que não haja interpretações abusivas do seu pensamento: «O verdadeiro triunfo é apenas a Felicidade», «Eis dois passos para a felicidade: encarar a vida como um jogo e irradiar Amor» pois para ele «A felicidade não é simplesmente prazer nem efeito da riqueza», «É mais o resultado do trabalho ativo do que o gozo passivo do prazer», «o teu triunfo depende do teu esforço individual na viagem da vida» e «Dirige a tua própria canoa». O fundador, página 2, reforça ainda: «Por “caminho” não quer significar um caminhar ao acaso, sem finalidade, mas antes um trajeto agradável com o objetivo definido, ao mesmo tempo que há consciência das dificuldades e perigos que podem deparar-se no percurso» e finalmente, na página 17, lembra que «A vida seria aborrecida se fosse toda de rosas; o sal tomado só é amargo; mas dá sabor agradável à comida. As dificuldades são o sal da vida».
Para o fundador, «Os caminheiros formam uma fraternidade do “Ar Livre” para “Servir”. São viandantes da Via Pública e campistas dos bosques, capazes de tratarem de si, mas capazes também de prestarem auxílio aos outros. São de facto uma Seção mais velha da obra dos Escutas – jovens de mais de dezassete anos de idade.» e relembra que «Os quatro objetivos principais da educação escutista são desenvolver os seguintes pontos:
• Carácter e inteligência.
• Habilidade Manual e Aptidão.
• Saúde e robustez.
• Serviço do Próximo e Civismo.»
Naturalmente que esta formulação de 1922 foi evoluindo em Inglaterra e em todo o mundo. No Escutismo Católico Português estas evoluíram para as seis áreas de desenvolvimento: Físico, Afetivo, Caráter, Espiritual, Intelectual e Social, seguindo, em abono da verdade, as orientações emanadas da Conferência Mundial do Escutismo e do Comité Mundial. Neste sentido, há hoje dois documentos fundamentais, a saber: o PPV – Projeto Pessoal de Vida (que contem duas partes: uma aberta, partilhada com todos os irmãos caminheiros e uma outra fechada, só para o próprio) e a Carta de Clã, construídos pelos caminheiros nos seus Clãs (o grande grupo) e nas suas tribos (os pequenos grupos) que são a pedra angular para o desenvolvimento destes jovens, que definem os seus percursos de vida orientando-os segundo os conselhos do fundador e vendo nestes uma metáfora de aprendizagem individual e coletiva apoiada num trabalho colaborativo.
Em Portugal, isto é, no Corpo Nacional de Escutas aproveitou-se a dinâmica do cinquentenário, para publicar, como suplemento da “Flor de Lis” de fevereiro de 1973, uma verdadeira proposta metodológica para desenvolver na IV Secção, intitulada “CAMINHEIROS”, em cuja “apresentação” podemos ler: «O trabalho que aqui se apresenta é um resumo do que está regulamentado, traduzido e adaptado, pela Região de Lisboa, e posto em prática há alguns anos», esta introdução/apresentação está assinada por “Uma Equipa do C.N.E.” e é, tanto quanto seja do meu conhecimento, o maior contributo produzido nesta área dos Caminheiros entre a sua fundação e perdurou até aos anos 80 do século passado, uma vez que o tema foi retomado por diversos autores nas edições da “Flor de Lis” dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e junho de 1978, servindo como elemento de suporte e dinamizador do Campo da IV Secção, no XV Acampamento Nacional do CNE, realizado na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, de 5 a 13 de agosto e continuou a ser usado no Corpo Nacional de Escutas.
Em próximas crónicas abordaremos o aparecimento dos dois documentos supra referenciados e da sua evolução.

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