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Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (5.ª parte)

E tudo o mais que a seguir se verá…

Os Caminhos para Divulgação e Evolução das Tradições (5.ª parte)

Escreve quem sabe

2020-01-22 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo Félix Alonso Cabrerizo

“Nada melhor que a música define o carácter e a maneira de ser especial dos povos. Um filósofo alemão comentava: das-me os adágios de um país qualquer e ditaria as suas leis; eu dispensaria os adágios e ficaria com a música. Espanha jotas e peteneras e Portugal com seu rico Fado são e serão sempre duas nações antitéticas. A Jota pede luz… a petenera pede algo mais… abraços de mulher… beijos… canhitas de manzanilla.
O Fado em cambio pede silêncio absoluto, penumbra misteriosa e uma certa dose de tristeza no coração.”
Comentário de um viajante espanhol, que em Novembro de 1896, escreveu no jornal «A Voz do Comercio»
A Triste Canção do Sul – Subsídios para a História do Fado. Alberto Pimentel. Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1989.

Estas interessantes palavras são a característica primordial do Fado, o Silêncio e o Mistério. Como misteriosa é a utilização do verso de sete sílabas chamado Redondilha Maior e que, por certo, está na base da quadra, que é a forma mais utilizada na poesia popular portuguesa. Porquê sete sílabas? O Fado Tradicional, bem como toda a poesia portuguesa de raiz popular e todos os géneros musicais folclóricos, do Minho ao Algarve. A grande maioria dos viras, chulas, malhões e verdegaios minhotos, canções beirãs, toadas transmontanas, cantes alentejanos, corridinhos algarvios, são cantados em versos de sete sílabas. Os nossos poetas eruditos fazem largo uso deste metro, que em poética se chama redondilha maior. Estas palavras de Daniel Gouveia, me têm feito muito reflectir e faz uns dias descobri o porquê da utilização das sete sílabas na poesia portuguesa, falando com um amigo espanhol, dizia-me o seguinte: “Em Espanha os poemas com versos de sete sílabas chamam-se Endechas e têm um carácter intimista e Añoranza (saudade) que evidentemente recorda o fado em geral. E realmente tem muito sentido.

Sobre a origem do Fado, tenho uma visão pluralista com diversidade de opiniões, mas vou, por mais atenção e cuidado, ao simbolismo do verso de redondilha maior, de qualquer maneira é um tema que requer muito estudo e análise.
Para aprender um Fado Tradicional, primeiro há que saber a linha melódica do fado. Um bom exemplo é o Fado Vitória que é muito conhecido por “Povo que lavas no rio” de Amália Rodrigues. Sabemos que é um bom incentivo mas se nós queremos cantar bem o Fado Vitória, dando o nosso próprio estilo e os nossos poemas, é, fundamental conhecer várias versões do Fado Vitória cantadas, a ser possível por grandes fadistas.
Aconselho uma série de poemas do Fado Vitória: 1 – A Candeia (F. Maria); 2 – Alcântara (F. França); 3 – As Minhas Horas (A. Santos); 4 – Fado da Despedida (C. Moreira); 5 – Fado de Meus Fados (C. do Carmo); 6 – Fado da Meia Laranja (J. M. Osório); 7 – Igreja de Santo Estêvão (F. Maurício); 8 – Alfama (G. Ferreira); 9 – Despedida (J. Porfírio – 1º Fado Vitória); 10 – Rouxinol do Choupal (M. de Almeida); 11 – Rainha Santa (M. Cavaco); 12 – Fado da Verdade (M. T. de Noronha).
Feliz Ano Novo a todos.

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