Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Os dilemas do filho único

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Escreve quem sabe

2014-04-06 às 06h00

Joana Silva

Os tempos mudaram e se antigamente, as famílias eram mais numerosas no que respeita, ao número de filhos atualmente assistimos a um cenário completamente diferente. Repare que se questionar casais acerca do número de filhos que desejam ver na constituição da sua família, frequentemente, exprimem ‘ter dois’ e de preferência, um menino e uma menina.

Acrescentam ainda que, se por um lado, ter mais que dois filhos, poderá revelar-se um dilema derivado à conjetura social e económica do país, por outro lado, ter um filho poderá revelar-se menos positivo. Quer se com isto dizer, que estes focam e transportam o ‘ser único’, como “não ter com quem brincar”, receiam de que este se torne egoísta ou mimado, temorizam que este não tenha um suporte de segurança ou emocional no caso de algo suceder.

Apesar de todas estas razões apontadas pelos progenitores, o que se constata na verdade, é que cada vez mais os casais têm apenas um filho. Acerca desta questão, diversos especialistas tem vindo a debruçar-se neste assunto, chegando à conclusão que, o casamento e a maternidade mais tardia, o divórcio, idade avançada dos progenitores, pais já por eles próprios também filhos únicos e por último, a opção especifica de um filho, são fatores determinantes. Num outro contexto de reflexão, como ‘tudo na vida’ tem as suas vantagens e desvantagens, poderá dizer-se que ‘ser filho único’ poderá ter os seus ‘prós e contras’.

Os profissionais especializados apontam como desvantagem principal a pressão exercida pelos pais face ao filho único. Basicamente este último, tende a cumprir todas as aspirações e expetativas dos pais que advém sobretudo da personalidade destes assim como dos fatores de satisfação e realização face à vida. Pais mais realizados tendem a possibilitar que o seu filho seja “o artista” da sua própria história com escolhas próprias.

O mesmo não sucede com os pais cujos “sonhos” não repercutidos anteriormente, como por exemplo, determinado curso, destacar-se em alguma categoria (desportiva, artística, social etc.), alcance de determinado emprego entre outros aspetos. A pressão está igualmente associada à esfera emocional que se prende pelo facto de os pais aspirarem que haja uma continuidade genética da família (descendentes) a qual poderá encontrar alguns obstáculos.

Dificuldades estas que se premeiam pelo facto dos filhos únicos verem-se por vezes emaranhados na dinâmica familiar, isto é, em adultos sentem-se comprometidos na responsabilidade (medo de separação, receio que alguma fatalidade ocorra e que não possa amparar) face aos progenitores. Ser filho único também tem igualmente vantagens, sendo que os investigadores referem haver maior interação familiar, ou seja, os pais tendem a depositar toda atenção no filho o que não aconteceria se este tivesse mais irmãos.

Esta interação por sua vez, facilita a estimulação cognitiva nos domínios intelectual, linguístico, artístico que coadjuva para uma boa auto-estima. É importante a socialização com outras crianças quando se é filho único e os pais podem propiciar estes momentos através de atividades lúdico recreativas.

Em jeito de conclusão, a qualidade relacional entre pais e filhos (afetos, emoções, reconhecimento apoio e reforço positivo face ao (in) sucesso) parece ser o pilar maior que sustenta a estrutura família, independentemente do seu número de descendentes que a compõem.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

11 Dezembro 2018

O conceito de Natal

10 Dezembro 2018

Como sonhar um negócio

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.