Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Os Três Princípios do Escutismo no CNE

‘O que a Europa faz por si’

Escreve quem sabe

2016-02-12 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

A Constituição Mundial do Escutismo, na formulação dada pela Conferência Mundial realizada na cidade de Montreal, no Canadá, em 1977, estabelece três Princípios do Movimento Escutista:
O princípio da espiritualidade - a relação com Deus - define-se como a adesão a princípios espirituais, a fidelidade à religião professada e a aceitação dos deveres que daí advêm;
O princípio social - a relação com os outros - que se define como, por um lado, a lealdade para com o seu país na perspetiva da promoção da justiça e da paz, da compreensão e da cooperação no plano local, nacional e internacional, por outro lado, a participação no desenvolvimento da sociedade, no respeito pela dignidade do Homem e da integridade da Natureza;
O princípio pessoal - relação consigo próprio - definido como sendo a responsabilidade no e do seu próprio desenvolvimento.
O Corpo Nacional de Escutas bebeu para o seu código genético estes princípios dando-lhe a seguinte forma:
1º. O escuta orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida
A opção por um texto mais virado para a interioridade, expressa através da ação do quotidiano, foi uma belíssima fórmula para fazer sobressair, em primeiro lugar, a convicção na fé que é professada e celebrada com alegria e orgulho sadio, porque alimenta a alma na senda do amor ao próximo; em segundo lugar, a aposta na vivência da fé que anuncia por obras e não apenas por palavras, mas, umas e outras, envoltas no manto do Amor e da Misericórdia.
Não basta ser fiel à fé, mesmo que os outros não o sejam, ou quando os outros não o forem, ou precisamente porque os outros não o são, mas sim porque a fé ilumina o nosso caminho, aquele que queremos trilhar, repondo a cada passo o Evangelho, levando-o aos outros cristãos e com a alegria dos justos.
Podemos mesmo dizer que esta fé poderá ser contemplada porque demonstra que Deus nos ama e que ter fé é amar a Deus, cumprindo a Sua vontade.
2º. O escuta é filho de Portugal e bom cidadão
Este segundo princípio determina uma relação paternal entre Portugal e cada um de nós, e, como todos sabemos, esta relação implica, por parte do “pai”, isto é, do país: amor, defesa, proteção e espaço de realização para o futuro de cada um, e ao “filho”, isto é, ao “português”, a cada um de nós, que seja: amoroso, leal, trabalhador, social, cortês e participativo.
Mas também é bom cidadão, por isso exerce a cidadania, isto é, participa ativa e responsavelmente na vida da polis, tendo presente as palavras de Baden-Powell em “A Caminho do Triunfo” (p. 167): “O perigo das democracias está no homem que não quer pensar por si nem aprender a pensar bem, como aprende a andar direito.”
Ou ainda a “Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no Mundo Atual”, capítulo IV, da II parte - a vida da comunidade política: “A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo, em serviço dos homens.”
3º. O dever do escuta começa em casa
A casa é o espaço da família, sendo portanto o espaço educativo por excelência, é lá que se aprende, muitas vezes errando, mas é lá que os pais e os irmãos mais velhos nos acolhem sempre de braços abertos, não só para nos proteger, mas, sobretudo, para nos abraçar transmitindo-nos esse sentimento capaz de mover montanhas: o amor, que também é o melhor estímulo para as nossas aprendizagens.
A casa é o nosso território de conforto e os pais são o estímulo para ousarmos deixar este território e assim promovermos novas aprendizagens, pois sabemos que os seus braços estarão sempre presentes, em caso de necessidade. É a responsabilidade dos pais, pensamos nós na nossa dimensão de criança, mas, hoje, alguns ou muitos anos depois, percebemos muito melhor que esse lançar de braços afinal era tão só um processo para a aprendizagem da responsabilidade.
O lar é o espaço das aprendizagens marcantes da nossa infância e da adolescência relativamente a nós próprios, como à nossa relação com os outros. É o campus que nos permite partir, apetrechados de ferramentas e de valores, para uma vida ativa, sendo o centro do nosso processo de aprendizagem, mas também “porto de abrigo”, o nosso olhar nunca se poderá desviar desse “santuário” pois foi lá que aprendemos que «devemos ver e ouvir com os olhos e os ouvidos do coração, pois só com estes se capta o essencial da vida», como nos diz Saint-Exupéry em “O Principezinho”.

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