Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Padre Dr. Manuel Faria (1916-1983)

Reflexões abertas à sociedade portuguesa

Ideias

2016-04-13 às 06h00

Félix Alonso Cabrerizo Félix Alonso Cabrerizo

“Alguns, talvez já os conheças; o povo já os canta por ai; Foi para o povo que os compuz: Entendo-me bem com ele, e ele comigo; Alguns (uns três ou quatro) são para ti, que gostas dumas coisas mais complexas, mais engravatadas. Tens achado os meus acompanhamentos difíceis, arrevezados - e alguns cânticos também. Mas, olha que nem por isso. O que estão é um pouco fora dos teus hábitos, da tua rotina; - e não te parece que é tempo de te sacudires e olhares para a frente? Vais ouvir os criticos saudosistas gritar que sou complicado e falho de melodia; e os ultramodernos, que sou fácil e teatral(!) Deixa-os la, que eu também deixo.”

(Novos Cânticos para Maria e para Jesus = Manuel Ferreira Faria - (1916- 1960)
Estas singelas palavras ilustram a personalidade a humildade e sabedoria de um homem culto, humanista, religioso e grande músico, uns dos grandes génios de nosso Minho.
Nascido em S. Miguel de Ceide, Famalicão, no lar de uma família minhota, vocacionado pela música, os primeiros passos foram com seu pai, que tocava concertina com o grupo de cantares de reis. Iniciando seus estudos musicais no Seminário Arquidiocesano de Braga em 1929, com os professores Pe. Manuel Alaio (1877-1953) e o Pe. Alberto Brás (1900-1976) curiosamente ambos Maestros de Orfeão de Braga - Onde anos mais tarde o Maestro Dr. Manuel Faria seria regente.

Em 1939 - vai a estudar a Itália no Pontifício Instituto de Musica Sacra de Roma sobre o comando dos Maestros Abade Suñol, Rafael Casimiri e Licinio Refice, licenciando-se em Canto Gregoriano e Composição em 1943. Também consegue o grau de Magistério em Composição Sacra, apresentando composições muito aplaudidas em Roma em 1949. Regressa a Portugal, começa o excelente trabalho no Seminário de Braga renovando a Música Litúrgica sobre as bases e princípios da Musica Sacra. Em 1961 volta a Itália como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para trabalhar com Vito Frazzi em Siena e com Petrassi em Roma, onde começa sua experiência dodecafónica, com obras como o Tríptico Litúrgico para órgão (Contém fuga dodecafónica).

Em 1965 - é convidado pelo famoso professor Higino Angles para dar aulas de Harmonia e Contraponto no Pontifício Instituto de Música Sacra, declinando o convite para dedicar-se em corpo e alma ao Seminário Diocesano de Braga e suas múltiplas tarefas na Sé de Braga onde faz um magnífico trabalho.

No Orfeão de Braga (foi regente de 1959-1970) descobri as primeiras obras de Maestro, O Mar Alto o Mar Alto, Cantem, Cantem os Anjos, Crux Fidelis e Amaremos (obra mais erudita, com texto de Paulo VI) e sucessivamente durante estes anos, foi conhecendo a sua obra, até chegar os 27 Responsórios da Semana Santa a 4 V.I., obra relevante da Música Sacra de Portugal. Seu catalogo musical de obras, tem mais de 500 títulos de diversos estilos, merecem destaque as Missas a N. Sra. Fátima (1945), N. Sra. Sameiro (1949), em Honra de S. Jorge (1978), a obra sinfónica; Suite Minhota (1956), Imagens da Minha Terra (1959), Tríptico Litúrgico (1962), Obras Dirigidas e Gravadas pelo seu amigo e Professor o Maestro Frederico de Freitas uns dos melhores músicos de Portugal.

Nas programações do Centenário do Dr. Manuel Faria, seria importante que se interpretasse a obra sinfónica a “Suite Minhota”.
O Dr. Manuel Faria é a nossa maior figura musical do Minho. O Minho deveria fazer justiça ao seu bom nome, criando uma Orquestra Sinfónica do Minho “Dr. Manuel Faria”, agora que tantas pessoas e personalidades falam de criar uma formação destas no Minho, este poderia ser o momento histórico para tal desafio, com ele colmatavam três desafios para o Minho, a união de todos ao concelhos do Minho, gerar uma nova dinâmica cultural e comercial à Região e atrair, cativar e fazer regressar a tantos e tão bons músicos minhotos que temos espalhados pelo mundo.
Obrigado Dr. Manuel Faria pelo Legado Musical, Humano e Espiritual que doas-te ao nosso Minho!!!

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