Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem!

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2018-03-27 às 06h00

Francisco Mota

A semana maior da liturgia cristã é sempre um momento de vivência e reflexão do caminho trilhado por Jesus até ao calvário. Particularmente em Braga, a Semana Santa é vivida de uma forma muito intensa. Aproveitando este período, recuo uns meses até ao verão quente de 2017, cujas imagens jamais podem ser esquecidas ou apagadas da memória coletiva. O choque que abalou o país levou os portugueses a perceber que nada poderia ficar como antes. Morreram 112 pessoas e arderam mais de 500 mil hectares.
Braga foi invadida pelo terrorismo desconhecido a 15 de Outubro. Num período em que já ninguém contava ser possível existir verão, o inferno desceu à terra e engoliu o orgulho, a vida e a esperança da mais antiga cidade de Portugal. A imagem que ficará na memória dos tempos da Roma Portuguesa está escrita nos livros da história da Roma Imperial, com o incêndio da antiguidade. Parecendo um paradoxo, a verdade é que o maior crime da antiguidade equipara-se ao maior atentando ambiental e monumental de Braga. Foram 1200 hectares de terror e destruição, que acabaram por pintar um quadro nunca antes visto e manchando de cinzento aquilo que até então era verde. Tingindo de luto aquilo que até então era esperança. Arruinando aquilo que até então era vida.

À altura tive oportunidade de fazer a leitura dos factos: apontando as deficiências e exigindo as consequências políticas dos responsáveis. Exaltaram-se o mundo dos puritanos, os treinadores de bancada e os visados, que, através do silêncio, acomodaram-se ao julgamento popular e das cúpulas do poder. Com tom acusatório de blasfémia todos gritavam: Cruxifica-o! Cruxifica-o!
Volvidos estes meses, e após publicação do relatório da comissão técnica, este parece-me demasiado leviano, pouco rigoroso e, em algumas opções, tendenciosas. Volto a repetir, por isso, algumas reflexões perante estes novos dados.
Com o prolongamento do período crítico até 31 de Outubro, por que razão os meios aéreos alocados ao distrito foram desmobilizados? Recorda-se que para a fase Delta foram retirados os meios aéreos previstos na Diretiva Operacional n.o 02/2017 e posicionados noutra zona do País, lê-se no relatório, o que demonstra a responsabilidade clara do governo e dos seus responsáveis políticos sobre a forma como esta catástrofe aconteceu.

Mesmo consciente da lei da rolha, desafiei o CDOS para que viesse a público explicar as opções que efetuou no domingo (15 de outubro), nomeadamente o porquê do comandante distrital se ter deslocalizado de Vieira do Minho, incêndio do qual estava afeto, para vir a Braga passar um atestado de incompetência à 2ª CODIS e redistribuir os meios com franco prejuízo para Braga e benefício para Guimarães. Pelas 17:17 horas são solicitados meios de reforço para proteção das casas, já o incêndio tinha duas frentes muito extensas sentindo-se muito vento. A esta hora o COS passa a ser o 2.o Comandante do CB de Guimarães e às 20:41 horas o COS é a 2. a CODIS de Braga. Fica assim demostrado que Hermenegildo Abreu nunca foi responsável pelo teatro de operações em Braga. Como não há registo da sua vinda ao comando operacional na Morreira e que veio lá fazer?

Mais ainda, como é que um relatório que faz considerações como: Incêndio bastante ativo, arde com muita intensidade, 75% do incêndio dirige-se para a cidade de Braga e 25% dirige-se para as Taipas, não ouve qualquer interveniente do território mais afetado? Bombeiros Voluntários de Braga, Bombeiros Sapadores de Braga, PSP, GNR, Proteção Civil Municipal de Braga nunca foram chamados para qualquer audiência, mas depois esse mesmo relatório escreve e indica que Os SMPC, ou seja, o patamar Municipal necessita de mais e melhor formação, de acordo com as audições efetuadas. Com que base e infor- mação recolhida? Porque foram ouvidos apenas operacionais de Guimarães quando foi Braga que ativou o seu Plano de Emergência Municipal? E o porquê do incêndio com maior impacto urbano do país se resumir a pouco mais de uma página, sem que tenha a descrição e audição de outras ocorrências descritas nesse mesmo relatório?

Parece-me que voltamos a assistir, de bancada, a uma desresponsabilização do CDOS e das entidades governamentais. É notória a falta de capacidade do comando distrital - atualmente administrado e orientado por pessoas incapazes e de ligações diretas ao partido socialista -, que, por indicação e nomeação da secretaria de estado, tomaram de assalto os lugares que eram ocupados por técnicos de valor e com provas dadas. Por que razão continua o governo a insistir neste capítulo?
Creio que continuarei à espera de respostas. Sendo assim, só me resta pedir: Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem!

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