Correio do Minho

Braga, terça-feira

País com futuro ou regresso ao passado?

“Novo tabaco” mata 600 mil crianças por ano

Ideias Políticas

2013-05-07 às 06h00

Hugo Soares

O clima político em Portugal atingiu nos últimos meses temperaturas próprias da época estival. A praticamente um ano de fechar com sucesso o programa de ajustamento contratado com o FMI, o BCE e a Comissão Europeia a tensão política aumentou com todos os partidos da oposição a tudo fazerem para provocarem eleições antecipadas. Mas se é verdade que estamos a um ano de “correr” com a Troika, a um passo de voltar ao financiamento em mercado para colocar a economia a crescer e a criar emprego, então porque razão a crispação política aumentou? Procurarei neste texto fazer a minha análise.

Atente-se no seguinte exemplo: durante três meses ouvimos dizer que a execução orçamental do primeiro trimestre iria ser um desastre, que este orçamento era, por isso, inexequível e que, em consequência, o Governo cairia em Março. Pois bem, no final do mês de Abril foram conhecidos os dados do primeiro trimestre. Resultado: números abaixo do acordado com a Troika (com fatores de risco é certo), mas apresentando uma folga ainda de 500 milhões face ao previsto. Algum dos leitores viu os partidos da oposição pronunciarem-se? Algum dos leitores viu os comentadores televisivos que durante três meses espalharam o caos dizerem que afinal valeu a pena? Não.

Por outro lado, este Governo, no cumprimento do memorando e com o estoicismo dos Portugueses, registou pela primeira vez, desde há muitas décadas, o equilíbrio das nossas contas externas. Reduziu o défice público para metade em dois anos (ao contrário do que às vezes se quer fazer crer). Quanto a cortar na despesa apresenta um saldo de 13 mil milhões de euros (sem nunca pôr em causa o Estado Social!).

Nas empresas públicas reduziu em 25 por cento o parque automóvel, em 28 por cento os gastos com comunicações e em 60 por cento o número de horas de trabalho suplementar. Atacou como nenhum outro as chamadas rendas excessivas, conseguindo já poupanças de 35% nos encargos com as PPP rodoviárias, no montante de 300 milhões de euros, e que se prevê aumentar nos próximos anos.

Nas rendas energéticas a poupança já soma 160 milhões de euros e prevê-se que aumentará em anos futuros, num total de mais de 2 mil milhões de euros em termos nominais. Naquilo que o Estado gasta consigo próprio, os chamados consumos intermédios, a poupança foi de 903 milhões de euros em 2011 e de 504 milhões de euros em 2012. É o 5.º valor mais baixo de consumos intermédios na Europa!

Por outro lado, foi o Governo que aumentou as isenções no acesso aos serviços de saúde. Que diminui brutalmente os preços dos medicamentos. Que extinguiu fundações, Governos Civis, agregou freguesias e institutos públicos. Que está a fazer a maior reforma de sempre no setor da justiça. Que está a apostar no regresso à industrialização e à agricultura.
Se tudo isto são factos, como se percebe o papel dos partidos da oposição?

Pois bem, há em Portugal quem não resista à política pequena; há em Portugal quem não resista a exacerbar o descontentamento dos milhares de Portugueses que, por força do brutal ajustamento que nos vimos forçados a fazer (estávamos na bancarrota!), se viram cair no desemprego; há em Portugal quem saiba que o Governo ou cai agora ou jamais cairá; há em Portugal quem saiba que, quando estas transformações se fizerem sentir, Portugal vai crescer e criar emprego. Ou seja: há em Portugal quem saiba que não vai ganhar eleições.

Da minha parte, mesmo sabendo que o Governo não fez nem fará tudo bem, eu prefiro um Estadista que Governa sem pensar em ganhar eleições do que um político à moda antiga. Eu quero um País com futuro. Não um regresso ao passado.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

13 Novembro 2018

A democracia e a hipocrisia

13 Novembro 2018

Dar banho às virgens

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.