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Palavras com/sem eco…

O espantalho

Voz às Escolas

2015-04-09 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Cá estamos, de novo, para falar dos problemas que afetam aqueles que investem o seu tempo e a sua sapiência a tentar minimizar os efeitos nefastos do estado experimental da educação.
Questiono-me, muitas vezes, sobre os proveitos das palavras que reproduzem o que sinto, concluindo que, independentemente de servirem, ou não, de incentivo para pelo menos promoverem a reflexão sobre algumas questões que constituem, só por si, um enorme constrangimento ao desenvolvimento e à qualificação da escola pública, o certo é que cada vez que partilho o que, de um modo geral, afeta a classe a que pertenço, a dos professores, independentemente dos cargos que desempenham, consigo atravessar a ponte e sentir-me mais perto dos meus pares.
Dificilmente as minhas palavras chegarão onde gostaria que chegassem, mas ao longo da minha vida nunca recuei perante os desafios que se me colocaram, e muito menos me acobardei com receio de ser politicamente mal vista, portanto enquanto me derem espaço hei de continuar a falar dos nossos problemas, na esperança vã de que alguém se lembre de nos perguntar como é que afinal lidamos, no terreno, com as dificuldades das experiências que ano a ano nos mandam fazer.
Iniciámos, há menos de 48 horas, o último período do ano letivo em curso, com as pressões inerentes a quem carrega a responsabilidade de cumprir programas desajustados, metas que eram para 2015 e que agora já não sabe se serão para 2020, mas também não vem ao caso porque só se atingiriam inflacionando os resultados; provas que avaliarão externamente o trabalho que é feito, mas que também só têm o peso que têm porque os recursos escasseiam e não há milagres, e ainda…os famosos testes de medição da proficiência linguística dos alunos, ao nível do inglês que, vejam só, nem são nem deixam de ser “Exames”, mas que também pouco interessa porque não respeitam os programas da disciplina.
Não discordo da generalização da avaliação externa dos conhecimentos dos nossos alunos, através dos famigerados exames, ou provas finais, para não ter tão pesada conotação, mas antes, porém, coloque-se alguma ordem no sistema educativo português, porque de contrário é bom que comecemos a defender a posição do Conselho Nacional de Educação sobre as retenções e os respetivos efeitos, sob pena de serem generalizados os exames sem previamente se ter harmonizado o que se dá e o que se exige.
E isto para já não falar da barbaridade que é a calendarização das ditas provas finais quando cruzada com o calendário escolar, porque se nos debruçarmos sobre esta matéria, por muito bem intencionados que estejamos, e por muito que queiramos defender a política educativa de um governo que até pode muito bem ser da nossa simpatia, dificilmente conseguiremos ficar calados sem graves problemas de consciência pessoal e profissional.
Aonde é que fomos nós, pobres entre os pobres, embora extraordinariamente ricos quando assumirmos que somos mais capazes que a esmagadora maioria dos exemplos que seguimos, aonde fomos nós beber esta distribuição de provas em pleno decurso das atividades letivas, este terminar do ano para uns e não para outros, dentro da escolaridade básica de doze anos, este terminar que não termina porque há de ter continuidade mais tarde, após as famigeradas aulas de recuperação, tudo a acontecer em simultâneo com o normal (?) funcionamento da atividade letiva para os anos não sujeitos à avaliação externa das aprendizagens?
Será que alguém me explica como consegue, se há quem consiga, ter recursos físicos e humanos para toda esta simultaneidade de ações sem o prejuízo real dos alunos e o desgaste desumano dos professores? Não seria de uma lucidez digna de aplauso realizar toda a avaliação externa após o terminus das atividades letivas?
Será que os comuns mortais já se deram conta de que o terceiro período de cada ano letivo é um exercício de atropelos aos reais interesses das escolas e dos alunos porque, efetivamente, são mais os prejuízos que as benfeitorias da forma como estão organizadas as atividades que encerram cada ano? Tenho sérias dúvidas de que, sobretudo os pais, tenham pensado seriamente no assunto. Ou então é a escola que de tão cansada tem uma visão distorcida da realidade.
Ou então, serei eu que, de tanto almejar uma escola pública com uma qualidade proporcional ao investimento que os professores, na sua esmagadora maioria, fazem, já não sou capaz de discernir corretamente. O que, honestamente, me parece muito difícil, mas nunca se sabe. Será?!

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