Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Palavras sem correspondência prática

Uh Uh, os meus óculos de Sol- Novas regras balneares durante a pandemia

Palavras sem correspondência prática

Ideias

2020-02-11 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

Acidade de Braga é, desde o passado sábado e até Janeiro do próximo ano, a Capital da Cultura do Eixo Atlântico (CCEA), pomposo título que “obriga” o município que o detém a um maior esforço no sentido da promoção cultural enquanto veículo privilegiado do desenvolvimento regional. Visivelmente entusiasmado na cerimónia inaugural, que atraiu diversos responsáveis desta euro-região à capital do Minho, o presidente da Câmara, insistiu na ideia, já avançada aquando do anúncio da escolha de Braga, de que a CCEA será um “bom balão de ensaio” para o projecto de Braga Capital Europeia da Cultura.

É certo que aos eventos, digamos, tradicionais, o município acrescentou novas iniciativas, envolvendo agentes culturais do Norte de Portugal e da Galiza, designadamente em áreas como o jazz, a arte urbana e a música tradicional. Todavia, considerar que esta organização pode ser um balão de ensaio para um projecto da dimensão de uma Capital Europeia da Cultura demonstra, no mínimo, desconhecimento e total ausência de ambição. Inexiste, evidentemente, qualquer possibilidade de comparação entre os dois eventos e só por ignorância, vaidade ou exercício de prestidigitação é que se pode meter tudo no mesmo saco.

Coisa bem diferente, é tratar separadamente cada uma das iniciativas, cada evento em particular, sem buscar contaminações entre eles as quais, aliás, a existirem, podem prejudicar seriamente o projecto para 2027. Desse ponto de vista, parece-me absolutamente correcta a constatação de Ricardo Rio, segundo o qual, “Braga acolher a Capital da Cultura do Eixo Atlântico representa o renovar do compromisso que temos com este projecto do Eixo Atlântico, que consideramos fundamental do ponto de vista da partilha de experiências, de projectos, de identidade com este grande território que é a euro-região”.

No mesmo sentido se pronunciou, aliás, o Conselheiro de Cultura da Junta da Galiza. Román Rodríguez destacou a importância de “reforçar os laços culturais alicerçados nas fortes raízes históricas da euro-região” e sublinhou tratar-se de “um elemento que gera coesão, uma identidade comum e é uma fonte de riqueza, como é o caso da união cultural do Caminho de Santiago que junta estes territórios”.

Não sei se foi fruto da excitação do momento ou do facto, nada despiciendo, de ter na audiência diversos responsáveis culturais, mas a verdade é que Ricardo Rio garantiu que “Braga hoje olha para a cultura como um pilar fundamental do seu desenvolvimento”. E foi ainda mais longe ao reconhecer que “promovermos oportunidades para os agentes culturais desenvolverem as suas oportunidades, expressarem toda a sua actividade, demonstrarem o seu talento, é enriquecedor para os próprios, é indutor de novas dinâmicas económicas, mas é sobretudo um factor de desenvolvimento para a nossa sociedade no seu todo”.

Pena é que as palavras nem sempre tenham a necessária correspondência com os actos. Infelizmente, em Braga isso sucede com inusitada constância.
Deverá assinalar-se, a propósito, que as maiores e mais duradouras pontes culturais entre Braga e a Galiza foram – e continuam a ser – criadas pelo grupo bracarense Canto D’ Aqui, um grupo de música tradicional criado há quase 36 anos e que tem sido responsável pelo evento Convergências Portugal/Galiza que, ano após ano, oferece à cidade de Braga e a outros centros populacionais galegos um intenso programa cultural com artistas dos dois lados da fronteira.


Ainda no âmbito cultural, o Município de Braga promete transformar a antiga escola Francisco Sanches num centro cívico de matriz cultural, ali criando um equipamento de referência alinhado com a estratégia cultural da cidade para 2030 e com a candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027. Ricardo Rio garante mesmo que este equipamento “será uma grande mais--valia para a dinâmica cultural da cidade”.
Depois de ter sido sinalizado para instalar a Pousada da Juventude, o imóvel foi posteriormente prometido à Junta de Freguesia de S. Victor, para instalação da sua sede, e também a um vasto conjunto de associações. Agora, seis anos volvidos sobre as primeiras promessas, o presidente da Câmara deixa cair de novo as instalações da autarquia local mas assevera que “a antiga escola Francisco Sanches será, a muito curto prazo, um espaço de grande vitalidade cultural e que irá complementar outras valências existentes no concelho”. Para tal desiderato, promete investir cerca de 4,5 milhões de euros.

De concreto, sabe-se que o imóvel albergará o Arquivo Municipal, que inclui o Arquivo Histórico, agora disperso por vários edifícios, também o espólio do Museu da Imagem, e ainda a galeria do Eixo Atlântico, que passará a ficar sedeada permanente em Braga. Embora o dossier ainda não esteja concluído, nas palavras dos responsáveis, admite-se que a área sobrante venha a ser utilizada como espaço de criação artística, com salas para residentes permanentes, e não só, com o acolhimento de associações, e com residências artísticas.
Sabe-se também que o Ginásio e a Capela terão uso partilhado para a realização de ensaios e concertos. Ou seja, aparentemente tenta-se de novo meter o Rossio na Betesga, repetindo-se a experiência levada a cabo na antiga estação dos Caminhos-de-ferro com os resultados que se conhecem. Ou seja, parece que não se aprende nada.?

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

02 Junho 2020

O PS e as presidenciais

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho