Correio do Minho

Braga, quinta-feira

'Para mim o Amor devia começar por J', por Liliana Malainho

O Estado da União

Conta o Leitor

2012-07-07 às 06h00

Escritor

O dia já ia findo quando reparei que o céu se tinha coberto das mesmas cores que o seu sorriso alberga. Lembrei-me dele. Dele e das borboletas que o meu estômago sentia cada vez que entrelaçava a sua mão na minha, parecidas com as reais em nome, distintas das mesmas na sensação que provocavam.

Não senti necessidade de me lembrar ao pormenor das minhas expressões faciais, nem de me deitar numa nuvem longínqua a pensar no quão terrífico pode ser o seu efeito em mim, somente de partilhar com ele a mesma admiração e respeito que detenho em relação a este mundo, que engole e suga conceções que defendíamos e agora já nem queremos saber.
Falo do Amor.

Não sei se as mesmas pessoas que leram todas as minhas palavras até agora sabem o que é, se têm uma definição concisa sobre este tema ou se, pura e simplesmente, abominam qualquer tipo de enunciação ambígua e inútil. Eu não sei. Admito ser uma ignorante no que toca ao Amor. Não sei onde nasce, se é comestível e muito menos se se compra nas farmácias ou nos cafés.

Não sei se precisamos dele diariamente, ou se o utilizamos apenas esporadicamente, em tom de “não te esqueço”. Também não sei se, para o termos, é necessário gastar dinheiro… se assim fosse, não o adquiria porque hoje em dia a palavra crise tem demasiado valor semântico.
Eu não sei o que é. Não sei se existe… Se persiste.

Todavia, em defesa daquilo a que podemos chamar de intuição, feminina ou não, penso que o Amor se traduz na partilha do silêncio. Mesmo na ausência de palavras, eu consigo sentir o que é. Mesmo no escuro, mesmo na companhia da solidão, mesmo quando a meteorologia não me sorri. Penso que o Amor se traduz em gestos também. Guarda-se no nosso coração, não em termos anatómicos mas em jeito de cartas escritas com letras tortas guardadas debaixo na cama ou, pelos mais metódicos, a sete chaves num silêncio quase tão agradável como a partilha de sentimentos. Sente-se uma vez e anseia-se sentir mais duas ou três.

Não sei se isto é amor, mas é isto que sinto quando acordo de manhã. E mesmo quando não tenho forças suficientes para me levantar da cama, o dito cujo lança a ancora na minha memória para que os segundos que se seguem não sejam afogados de desânimo. Para mim, o Amor é esperança. O Amor é também coragem. Pode ser receio. Sombra ou luz. Aconchego. Longe ou perto.

Para mim, o Amor tem uma só trajetória, um único rumo. Para mim, pinta-se das cores do arco-íris, e não tem nenhuma contraindicação. Escreve-se numa única palavra, e não é “Amor”. Tem um só corpo. Um único sorriso… o mais bonito de todos. Tem cabelo loiro. É um amor de olhos verdes.

Todos os dias me apaixono pelo Amor.
O Amor que deveria ser escrito com a letra J.
E para vocês, que letra tem o Amor?

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