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Para onde vai a democracia americana?

A imunidade possível

Para onde vai a democracia americana?

Ideias

2020-11-27 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Vi, há dias, uma série televisiva, no canal História, sobre a vida de Washington e o seu papel na construção do sistema político americano e operacionalização da Constituição. E não pude deixar de comparar com Trump e de me perguntar, mais uma vez, como foi possível a existência desta criatura e como foi possível ter dominado completamente o partido republicano e ter obtido quase metade dos eleitores americanos (mais de 70 milhões).
E, compreendo porque Xi Ping e Putin torcessem pela vitória de Trump. Ele significa o fim do sonho americano e o fim da hegemonia da América.
Mas, voltando ao sistema político americano, ele é o resultado do pensamento de Hobbes, Locke e Montesquieu que não pensam num mundo utópico, mas em evitar viver num mundo pior. Locke e Montesquieu avisam para o perigo de concentração do poder político. Isto significa que se deve procurar evitar um sistema centra- lizado e a tirania da maioria. Por outro lado, as decisões políticas resultam do ajustamento e compromisso entre diferentes interesses. Os fundadores do sistema político, embora com posições diferentes, entenderam que a discussão, a negociação e o compromisso são os ingredientes básicos da democra- cia. E, quando o espírito do compromisso foi abandonado, o país entrou em guerra civil.
O amálgama do liberalismo europeu e o individualismo conservador americano resultou num sistema político bem diferente do europeu, baseado na regra da maioria.
Sob o ponto de vista dos poderes presidenciais, Washington lutou pela união entre os estados contra o movimento da confederação. Daí que, dois séculos passados, a eleição do presidente seja indireta, dependendo da votação dentro de cada estado e segundo regras definidas por cada estado. Além disso, os seus poderes são objeto de controle por parte do Supremo Tribunal e do Congresso (sistema de cheques e balanças).
Vejamos agora qual foi a prática política de Trump. Em primeiro lugar, pretende representar os prejudicados pelo siste- ma, dos ainda hoje ressabiados estados do Sul, dos brancos prejudicados pela globalização e desindustrialização, do conservadorismo rural e das igrejas evangélicas.
Por outro lado, através das nomeações para os tribunais federais, incluindo o Supremo Tribunal, domesticou o poder judicial, atrelando-o aos seus interesses. O mesmo aconteceu quanto ao Congresso, sobretudo quanto ao Senado, completamente domesticado porque os incumbentes republicanos temem não ser eleitos. E, pode acontecer porque a maioria dos estados votaram em Trump.
Finalmente, a sua linguagem política é tudo menos negociação, tendo tiques de populismo, demagogia e tirania. Não é muito diferente de um país das bananas, coo afirma Krugman no seu último artigo no New York Times. Vamos ver se Biden é capaz de restabelecer o sistema. Duvido.

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