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Para onde vai a democracia

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Para onde vai a democracia

Escreve quem sabe

2021-03-05 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

A influente revista ame-ricana Foreign Affairs (Vol. 100. Jan/Fev. 2021) publicou um artigo de F. Fukuyama com mais dois autores, o qual tem sido extensivamente comentado. Um dos autores deu mesmo uma entrevista ao jornal Público em que explica a sua tese.
Segundo os autores, nada é mais saliente na vida económica e política do que o crescimento das gigantescas plata-formas da internet (Amazon, Apple, Facebook,, Google e Twitter), já importantes antes da pandemia, mas que aumentaram o seu peso durante este período.
Estas empresas, para além do seu poder económico, exercem um controlo sobre a comunicação política. Não só dominam a disseminação da informação, como coordenam a mobilização política.
Como reagir contra este crescente poderio económico e político?

Pode-se ter uma abordagem liberal da chamada escola de Chicago e esperar que o mercado resolva os problemas.
Não é essa a posição considerada atualmente, já que se enveredou pelo aumento da regulação e promoção da concorrên- cia. É o que tem feito a EU. Todavia a questão das big tech não se esgota nas questões económicas. Estas plataformas podem mandar no resultado das eleições e moldar a atenção dos cidadãos e do debate político. E, é, neste ponto, que os autores propõem um mecanismo denominado middleware que sirva de filtro, ou cinto de segurança às mensagens veiculadas por essas companhias.
Quão longe estamos da mensagem Fukuyama - que no começo dos anos 90, a seguir ao fim da Guerra Fria, escreveu o livro, hoje obsoleto, a que chamou o FIM da HISTÓRIA: um mundo otimista caraterizado pela economia de mercado e democracia liberal.

É óbvio que esta proposta pode ser atacada por antidemocrática e contra a liberdade de expressão. Mas, o público deve ser alertado para o crescimento das plataformas da internet, existindo boas razões que os políticos se voltem para as leis antitrust, como remédio. Mas esta é uma resposta parcial, já que estas empresas concentram, não apenas poder económico, mas também político.
Isto lembra a prática chinesa de censura da internet e expurgar as notícias que critiquem o governo e o regime.
Esta observação faz lembrar um livro escrito em 1992, por R. George, The East-West Pendulum; isto é, o poder e a cultura dominantes têm oscilado entre o Ocidente e o Oriente, como o pêndulo do relógio. E, agora está claramente no Oriente, podendo a conceção de democracia ser a chinesa e não a ocidental. Aforma como o vírus foi combatido e o crescimento do poder do Estado anunciam mudanças, mesmo no design da democracia que pode aproximar-se do modelo chinês.
Trump foi o que foi; e Biden não parece capaz de mudar o paradigma como demonstra o recente ataque às milícias shiita na Síria só porque ameaçavam as tropas americanas acantonadas perto do local. Biden não percebe que passou o tempo da hegemonia americana e que tem que enveredar pelo multilateralismo, se quer continuar a liderar o planeta.

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