Correio do Minho

Braga,

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Paradoxos

O abandono e o adulto difícil

Ideias

2018-10-05 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Que o mundo está a mudar muito, muito rapidamente, é já um lugar comum. Todos reconhecemos as principais mudanças, o profundo impacto que as alterações tecnológicas mais ou menos recentes, e aquelas que se aproximam, têm tido e terão cada vez mais na forma como nos relacionamos, como decidimos, como fazemos negócios, como trabalhamos, como fazemos escolhas políticas. Há páginas e páginas escritas nos mais prestigiados jornais , por todo o mundo, sobre o impacto que a 4ª Revolução Industrial , que engloba tecnologias para a automação e troca de dados, bem como a possível robotização de funções, que pode vir a permitir um notável aumento de competitividade e produtividade.
Aprendemos a privilegiar o imediato, a resposta rápida, a informação mais divulgada, o número de ”likes”, a interpretação mais fácil, o marketing encoberto em múltiplos blogs. Rapidez, facilidade e imediatismo paradoxalmente num mundo cada vez mais dominado pela ciência. Os meus avós paternos foram responsáveis por uma família que hoje anda por bem mais do que 100 pessoas, como seria de esperar, um pouco espalhadas pelo país e pelo mundo; criamos uma rede no WhatsApp, que nos permite estar em contacto com todos. Uma presença constante. De forma rápida e imediata, os parabéns e algumas brincadeiras, mas as cartas, aquelas cartas longas e emotivas, que retratavam o quotidiano e espelhavam as pessoas, pertencem já definitivamente ao passado. Num mundo cada vez mais próximo, onde a informação flui imediatamente, onde fazemos e recebemos cada vez mais, o medo do outro avoluma-se, reforçamos a nossa cultura como a única que importa. E, naturalmente, vão surgindo cada vez mais políticos hábeis, explorando esse medo e a rejeição.
As alterações demográficas serão outro dos grandes paradoxos com que este século XXI se confrontará. A evolução da medicina e a implantação de políticas de saúde cuidadas, complementadas pela melhor perceção pública da importância dos cuidados básicos no que respeita por exemplo à alimentação e ao exercício, permitiram que a esperança de vida global, nos últimos cem anos, tenha duplicado – passou-se de 31 anos para 65 anos de idade.
Em Portugal, nestes últimos dez anos, segundo o INE, a esperança média de vida aumentou, em média, 2,28 anos para a população em geral, mais para os homens (2,58 anos) do que para as mulheres (1,78 anos). Enfim, quem tiver nascido entre 2015 e 2017, poderá vir a viver, em média, 77,74 anos se for um homem, ou 83,41 anos se for do sexo feminino. Viver na Região Norte compensa – a vida é mais longa.
No entanto, fala-se que os diabetes, as doenças renais ou cardiovasculares, entre outras , se poderão vir a tornar verdadeiras epidemias. Certamente que as doenças associadas a uma idade muito elevada, como o Alzheimer por exemplo, ou mesmo apenas as restrições que obviamente a senioridade vai colocando, exigirão políticas sociais diferenciadas. O futuro é já amanhã.
Depois dos 65 anos, dizem as estatísticas publicadas pelo INE, será de esperar que em média, em Portugal, se venha a viver ainda quase 20 anos.
Onde? em que condições?
A oferta pública, privada ou de todo o terceiro setor é insuficiente. Claramente insuficiente e não diferenciada. Os significativos avanços tecnológicos tornarão possíveis novas formas empresariais, mais produtivas e mais competitivas, certamente mais inovadoras para o que concorrerá um nível educacional mais elevado. Mas trará também em si a necessidade de novos modelos sociais.

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