Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Parar esta política para travar o desemprego

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Ideias Políticas

2012-10-02 às 06h00

Carlos Almeida

O desmedido número de desempregados, aliado à destruição diária de postos de trabalho, é, provavelmente, o problema mais grave que o país enfrenta.

Todos os dias aumentam as filas nos centros de emprego com novos desesperados que se abeiram à procura de um apoio, à espreita de uma oportunidade.
Os números divulgados ontem pelo Eurostat, que fixam a taxa de desemprego em 15,9% em Agosto último (em Agosto de 2011 estava nos 12,7%), demonstram bem as consequências desastrosas da política do Governo de coligação PSD/CDS. Estes dados revelam aquilo que só os senhores do governo não querem ver: a austeridade traduz-se em recessão económica, o que faz aumentar a destruição de postos de trabalho.

Se considerarmos o subemprego e os inactivos, o número de desempregados no país ronda um milhão e quatrocentos mil trabalhadores. São números verdadeiramente assustadores e sem qualquer precedente.

Recorde-se que, a propósito do Orçamento do Estado para 2012, Passos e Portas queriam convencer os portugueses de que íamos no bom caminho. As medidas eram as mais ajustadas à situação do país, diziam. Tentaram, a qualquer custo, vender a ideia de que lá para o fim do ano estaria tudo melhor. E 2013 seria o ano do crescimento!

Tão preocupante quanto as previsões falhadas é a insistência do Governo na mesma política. O que passará na cabeça desses senhores quando, conhecendo a taxa de desemprego no país, anunciam cerca de 90 mil despedimentos na função pública? Quando ignoram (em alguns casos incentivam) as insolvências em massa e consequente destruição do aparelho produtivo? Quando querem vender ao desbarato empresas como os estaleiros de Viana do Castelo?

Faço-lhes um desafio, senhores do Governo: venham a Braga. Venham conhecer os rostos dos 50 trabalhadores da Transportadora Henrique & Catarina, que estão sem receber o salário há dois meses, aguardando o desfecho provável de encerramento. Venham explicar a “crise internacional” aos 121 trabalhadores da Orfama e French Fashions que estão sujeitos a despedimento colectivo. Venham, ainda, ver o que é feito das dezenas de jovens que a Bosch “sacudiu” há semanas atrás.

Depois, lembrem-se que foram vocês que facilitaram (ainda mais) os despedimentos, reduzindo brutalmente o valor das indemnizações. Não se esqueçam que foram vocês que simplificaram “as razões” de um despedimento, entregando ao patrão a faca e o queijo.

Neste cenário lastimável, quando seria de esperar um reforço da protecção social aos trabalhadores desempregados, eis que o Governo decide, também a este nível, aplicar a receita da austeridade, cortando no valor das prestações e limitando no tempo a sua abrangência. Quando, actualmente, em Portugal apenas ¼ dos desempregados têm subsídio atribuído.

Ao mesmo tempo que alastra o desemprego, diminuem as oportunidades e aumenta a exploração. Multiplicam-se impunemente os aproveitadores, que à boleia da conversa de que “eles não querem trabalhar”, servem-se do desespero de quem tem barrigas para alimentar em casa.

O que resta então a estes trabalhadores? - podemos perguntar. Resta-lhes a dignidade ao não se deixarem esmagar pela tirania capitalista, rejeitando a via da exploração, a ameaça e o medo. Resta-lhes também a esperança de que um dia todos perceberão que o facto de eles estarem desempregados não é um problema (só) para eles. É, acima de tudo, um problema para o país.

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