Correio do Minho

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Ideias

2013-11-19 às 06h00

Jorge Cruz

O difícil momento que a concelhia de Braga do Partido Socialista atravessa, na sequência da estrondosa derrota nas últimas autárquicas, deveria obrigar os dirigentes partidários, bem como os restantes militantes, a uma cuidadosa reflexão. Creio, aliás, que casos há - mais graves - em que se justificaria mesmo uma profunda introspecção e a consequente autocrítica.

Mas antes de abordar este tema não quero deixar de fazer a declaração de interesses que se impõe - sou membro da Comissão Política. Tal facto, contudo, não me retira capacidade de observação nem me pode inibir de tentar fazer uma análise, tão objectiva e isenta quanto possível, das movimentações públicas para as eleições de Dezembro próximo.
E é precisamente com toda a objectividade e isenção, sem tomar partido por quem quer que seja, que afirmo a minha convicção de que as duas candidaturas já anunciadas, e que aliás já estão no terreno, não servem minimamente os interesses do PS.

O que aconteceu nas autárquicas de 29 de Setembro foi mau de mais para ser verdadeiro. Mas é um facto que não pode ser escamoteado. Simplesmente porque aconteceu. Ou, melhor dizendo, foi um conjunto de episódios que convergiram para o resultado final, um resultado desastroso sob todos os pontos de vista. E a responsabilidade pelo sucedido não pode ser assacada apenas a alguns. Não, a culpa tem que ser diluída por todos, embora com graduações diversas.

A minoria afecta a António Braga tem grandes responsabilidades pela campanha abjecta que alguns dos seus membros lançaram contra Vítor Sousa e alguns dos que o acompanharam na pugna eleitoral; também pelo distanciamento que, em determinados casos, se transformou em frontal hostilização quando não concorrência à candidatura oficial, aprovada pelos órgãos próprios do partido; finalmente, pelo comportamento absolutamente indigno de certos militantes que chegaram ao cúmulo de apelar ao voto nos adversários políticos.

Mas todas estas atitudes, todos estes erros que tão caro custaram ao PS, não podem justificar a manutenção de um clima aberto de guerrilha, bem pelo contrário, devem merecer atenta reflexão em ordem ao apaziguamento e à reunificação do partido, condição essencial para o seu fortalecimento e consequente regresso às vitórias.

Desgraçadamente, não é a isso que se assiste. Em vez de tentarem uma candidatura forte que pudesse de algum modo contribuir para a união, mesmo sem esbater as diferenças, as duas partes decidiram continuar a digladiar-se contribuindo, dessa forma, para manter o partido em estado de grande fragilidade e afastado do poder.

É minha profunda convicção, repito, que nem Sousa Fernandes nem Hugo Pires, os dois protagonistas das candidaturas já no terreno, serão capazes de pacificar o PS. O facto de serem candidatos fortemente identificados com as respectivas facções retira-lhes a capacidade de negociação, tão necessária no momento actual. Aliás, ambas começaram mal: numa das suas primeiras intervenções o padre Sousa Fernandes acusou a candidatura opositora de não ter “grande consistência nem projecto político” nem “sequer a maturidade necessária para assumir funções desse género”. E disse-o logo após ter colocado em causa o desempenho de Hugo Pires enquanto vereador e de declarar que o seu opositor “não tem nenhuma folha dentro do partido que o tenha tornado notável”. Uma opinião respeitável mas perfeitamente inconcebível até pela ausência de democraticidade que encerra.

Na outra candidatura torna-se curioso verificar a inclusão, em segundo lugar, do ex-presidente da câmara, o que significa que finalmente Mesquita Machado decidiu tomar posição pública na contenda. Mas este regresso às lides partidárias também pode levar a outras leituras políticas.
De facto, esta aproximação de Mesquita Machado a Hugo Pires parece legitimar a ideia que circulou amplamente antes das eleições autárquicas de que o candidato escolhido pelo PS não era totalmente do agrado do então edil.

Aliás, Vítor Sousa só contou com a presença de Mesquita Machado nas derradeiras acções de campanha, não obstante ter carregado desde o início o pesado fardo de uma série de medidas controversas que, como facilmente se previa, viriam a penalizar a candidatura socialista.
Mas este “regresso” - quem sabe se, como tem sido afirmado pelo próprio, com o horizonte nas próximas autárquicas - denota que afinal nem Hugo Pires nem Mesquita Machado perceberam realmente o que aconteceu em 29 de Setembro.

E se estão a pensar que a pesada derrota nas autárquicas foi uninominal, ou seja, apenas de Vítor Sousa, então não entenderam mesmo nada do que se passou. Não assimilaram que os eleitores bracarenses mostraram claramente nas urnas a sua saturação em relação a uma certa forma continuada de fazer política. Nessas circunstâncias, mesmo com uma eventual vitória no partido, espera-os um futuro político muito negro.

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