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Braga, sexta-feira

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Parece, mas não é!

A avestruz risonha que tocava Strauss

Parece, mas não é!

Escreve quem sabe

2019-04-07 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Volto a trazer algumas palavras e expressões muitas vezes confundidas.
Comecemos pelo par “ir ao encontro de” e “ir de encontro a”. Numa entrevista à revista Business Portugal (em http://revistabusinessportugal.pt, acedido em 04-04-2019), o dono de um restaurante de Coimbra afirma que tenta “sempre ir de encontro ao que o cliente gosta”, para o satisfazer. Na realidade, ele deveria ter dito que tenta ir ao encontro do que o cliente gosta, pois o que deseja é agradar-lhe e não contrariá-lo. “Ir ao encontro de” significa “estar de acordo com” ou “ir na direção de” (ex.: “A tua proposta vai ao encontro do que eu penso.”; “Ele foi ao encontro da colega.”). “Ir de encontro a” indica ir contra algo ou alguém (ex.: “Fui de encontro à porta.”; A proposta do Rui foi de encontro àquilo que nós pretendíamos.”).

Um “mandado” é uma ordem judicial. Neste artigo do Diário de Notícias, o jornalista trocou “mandado” por “mandato” (“Nos dias seguintes, a polícia emitiu um mandato de busca para Jayme,…”, em https://www.dn.pt/mundo/interior/e-jamie-closs-chamem-o-911-adolescente-reaparece-3-meses-apos-assassinio-dos-pais-10425322.html, acedido em 04-04-2019). Infelizmente, não foi o único. Na revista Sábado, escreveram: “(…) a visita da Polícia Judiciária, que apareceu na sede nacional com um mandato de busca.” (em https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/o-psd-so-actua-quando-os-factos-transitarem-em-julgado, acedido em 04-04-2019).
“Mandato” é o período de exercício de determinado cargo (ex.: “O mandato do Presidente da República é de cinco anos.”).

O que dizer desta notícia, do Correio da Manhã, que tem no título “IPO Porto afirma que doente em estado terminal não estava em morte iminente" e que apresenta no corpo que “a doente não estava em morte eminente" (em https://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/ipo-porto-afirma-que-doente-em-estado-terminal-nao-estava-em-morte-iminente, acedido em 04-04-2019). Qual a forma correta neste contexto? A primeira, pois “iminente” significa “que ameaça concretizar-se, que está a ponto de acontecer; próximo, imediato” e “eminente” faz referência a algo ou a alguém que está muito acima do que o que está em volta; proeminente, alto, elevado; que é superior aos demais; transcendente, magnífico (ex.: “A professora é uma eminente estudiosa da obra Eça de Queirós”; “A paisagem da aldeia é dominada por uma igreja eminente.”).

Quando precisamos de colocar um estofo novo numa cadeira, vamos a um “estufador” ou a um “estofador”? A este último, apesar de, ao percorremos os anúncios na Internet, encontrarmos muitos “estufadores”. A Gazeta das Caldas até fez uma reportagem sobre “Faustino Filipe, estufador” (em https://gazetacaldas.com/sociedade/estofar-arte-dar-nova-vida-sofas-cadeiroes/attachment/arranjarcadeira/, acedido em 04-04-2019).
Ora bem, nós estofamos os sofás, mas estufamos a carne.

Finalmente, falemos de “tráfico” e de “tráfego”. Em horas de ponta, debatemo-nos com tráfego intenso nas entradas e saídas da cidade, ou seja, com muito trânsito. Por vezes, ouvimos notícias sobre tráfico (comércio ilícito) de drogas, quando estamos presos num engarrafamento devido ao descomunal tráfego do final do dia.

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