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Paulo Gonçalves: um piloto lutador…

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Paulo Gonçalves: um piloto lutador…

Ideias

2020-01-13 às 06h00

Paulo Monteiro Paulo Monteiro

Paulo Gonçalves perdeu a vida, ontem, ao quilómetro 276 da sétima etapa da especial do Dakar. A prova estreava-se este ano pela primeira vez na Arábia Saudita. E mais uma vez Paulo ‘Speedy’ Gonçalves, como carinhosamente lhe chamavam, dava tudo por tudo para chegar ao seu objectivo e o maior sonho era, sem dúvida um dia ganhar o Rally Dakar.
Mas o destino traçado foi outro. Outro que ele não merecia. Outro que deveria ser bem diferente e que ele merecia… receber os louros da conquista, da vitória no Dakar.
Este ídolo do motociclismo de muito, e nascido em Esposende – o maior símbolo desportivo do concelho, sem dúvidas – demonstrou sempre garra, determinação e nunca desistia dos seus objectivos. Lutava sempre, mas sempre até não poder mais.

No final da semana surgiu a notícia de que tinha desistido por problemas mecânicos, mas logo a seguir aparecia Paulo Gonçalves a falar e a dizer que não tinha desistido. Que continuava na luta apesar de ter perdido muitas horas com um problema mecânico e que iria agora dar tudo por tudo para subir na classificação geral. E foi conseguindo. Subiu mais de 60 lugares e preparava-se para lutar ainda mais nesta segunda semana, depois de um dia de descanso. Mas… o percurso, desta vez, que ele esperava que fosse de muita areia com muitas dunas, trocou-lhe as voltas. A rota, a estrada, o caminho… - nada ainda sabemos - não o deixou chegar ao fim da etapa. A ajuda chegou muito rapidamente mas não havia, infelizmente, nada a fazer.

Mas Paulo Gonçalves não morreu em cada um de nós. Continua bem viva a sua dedicação, a sua garra e o seu coração enormemente humano… Quem não se lembra, por exemplo, de numa edição do Dakar ele ter parado, ter perdido, para ajudar um colega caído e a precisar de ajuda? Que gesto bonito. E teve muitos. E são esses gestos que fazem os campeões.
Mas esta prova tem de ser repensada. Desde o início já provocou 70 mortes, de forma directa ou indirecta, inclusive o seu criador, Thierry Sabine. Sabemos que é dura mas… é dura de mais e o Paulo Gonçalves e os outros não mereciam.

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