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Pela Liberdade! Sem Medo!

A lampreia na Escola, uma aluna especial!

Ideias

2015-01-15 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

Os crimes cometidos em França foram contra toda a União Europeia e contra os nossos valores. A UE é um espaço de paz, solidariedade, tolerância religiosa, liberdade, aceitando-se e respeitando-se as diferenças, a diversidade religiosa e cultural. Estamos imbuídos da ideia de que a dignidade humana é transcendental, inalienável e inviolável.
Os extremistas têm-se aproveitado da liberdade que propiciamos e dos nossos valores para, através do terror, impor a sua visão única, o seu modo de viver e pensar. Em nome de uma interpretação abusiva e extrema da sua “religião”, matam de forma covarde.
Em França, na semana passada, terroristas mataram dezassete pessoas, nomeadamente os membros da redacção do Charlie Hebdo, polícias e reféns num supermercado judaico.
O caso do ataque, à redacção do Charlie Hebdo, reivindicado pela Al-Qaeda na Península Arábica, foi também um ataque à liberdade de imprensa. Um dirigente da organização terrorista afirma que a operação foi destinada a vingar o profeta Maomé e foi ordenada por Ayman al-Zawahiri, que sucedeu a Osama bin Laden na liderança da rede terrorista. A ser verdade, a Al-Qaeda continua por aí.
Confesso que não aprecio aquele tipo de cartoons. Mas tal não impede a mais veemente condenação do ataque. A argumentação de que os cartoons são exagerados, e de que no fundo as vítimas se colocaram a jeito, é inaceitável! Na argumentação de alguns, felizmente poucos, quase se chegou ao ponto de tornar as vítimas em culpadas e os culpados em vítimas! As vítimas foram cristãos, judeus e muçulmanos, o que prova o multiculturalismo existente em França.
Os franceses estão em estado de choque. Mas responderam bem. Vieram aos milhões para a rua, numa demonstração de que não têm medo e de que não vão ceder. Foi um verdadeiro tsunami popular. Nas primeiras filas da manifestação tivemos, para além dos líderes europeus, o presidente da Autoridade Palestiniana e o líder israelita Benjamin Netanyahu.
Os franceses reafirmaram o combate ao terrorismo, sem que tal signifique o sacrifício das liberdades individuais. A extrema-direita francesa procurou logo tirar dividendos políticos, defendendo a pena de morte e o encerramento das fronteiras. Também tivemos gente da esquerda portuguesa, mas que tem comportamento também ele extremista, a afirmar que os atentados eram o resultado da austeridade!
Perante os atentados, há sempre a tentação de legislar a quente e defender soluções aparentes. Uns apressam-se a defender as fronteiras internas. A liberdade de circulação é um ganho que temos. Para além disso, cada Estado-Membro, sempre que o entenda e sem qualquer autorização, pode fazer o controlo das suas fronteiras internas. Esquecem-se que, no caso concreto, os criminosos eram cidadãos franceses! Outros defendem um ainda maior controlo sobre todos os nossos dados.
Espero que as soluções não signifiquem mais restrições à nossa liberdade. Se tal acontecer, os terroristas já estão a ganhar. É evidente que a prevenção deverá ser maior, a partilha de informação entre as forças policiais e os serviços secretos deve ser intensificada, as fronteiras externas devem ser melhoradas.
A proximidade que temos em relação a ataques deste tipo altera a forma, a percepção e a visão que temos deles. Convivo diariamente com franceses e sinto e vivo o sofrimento deles. Os mesmos acontecimentos em Portugal ter-nos-iam abalado de forma ainda mais intensa.
Mas a proximidade não pode justificar o alheamento que temos em relação a ataques deste tipo, ainda mais graves, com mais vítimas humanas e que se repetem amiudamente. Porque é longe, porque vivem em ditaduras, porque são de outro continente, assobiamos para o ar e fazemos de conta que não é connosco.
A globalização é um desafio que se coloca em todos os planos!
Os sinais de violência extrema por parte de radicais religiosos têm vindo a aumentar de forma assustadora e com a conivência de alguns Estados. O auto denominado Estado Islâmico, que não é Estado nem é islâmico como bem me recordou o embaixador da Argélia em Bruxelas, tem cometido crimes absolutamente bárbaros.
As mortes de mulheres, homens e crianças têm sido aos milhares. As vítimas de tortura e violação são diárias.
O combate ao terrorismo exige uma resposta à escala mundial. É evidente que cada um tem de cumprir com a sua obrigação. A UE - estou certo - fará a sua parte. Pela liberdade! Sem medo!

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