Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Pensar Braga

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2012-04-03 às 06h00

Hugo Soares

As tendências megalómanas de alguns políticos têm resultado em facturas elevadíssimas para os Portugueses. Foi assim no plano nacional com empresas como a Parque Escolar, com os TGVs, com as auto-estradas por onde não passam carros, com os aeroportos onde não aterram aviões, com as isenções para ricos e pobres; enfim, foi um fartar de más decisões que nos levaram à situação que todos conhecemos.

Mas é também assim no plano municipal. Mesquita Machado tem-nos habituado a idênticos despautérios (que lhe foram garantindo várias reeleições, é certo…), mas que fez e faz com que os Bracarenses paguem os impostos municipais pelo máximo, que não haja investimento social e cultural e a cidade não impulsione o desenvolvimento económico e o emprego.

O corolário das políticas de Mesquita Machado é igual ao dos políticos nacionais que nos trouxeram até aqui: hoje a Câmara Municipal não tem dinheiro para nada. Os exemplos mais conhecidos da mania das grandezas ou, se preferirem, do novo riquismo bacoco de Mesquita são a derrapagem de quase o dobro na construção do Estádio Municipal, são os campos de relva sintética em quase todas as freguesias (mesmo que não haja clubes…) e as piscinas olímpicas que, pelos vistos, não virão a ser piscinas e muito menos olímpicas.

De dimensão olímpica só os oito milhões de euros já gastos em cimento que apodrece por baixo da água da chuva.

Ora, este tipo de decisões como se sabe custam caro às populações. Agora, Mesquita Machado decidiu - vá-se lá saber porquê - que Braga deveria ser a cidade com uma das maiores áreas pedonais da Europa. A mim, o que me parece, é que se quer matar de vez o comércio tradicional e empurrar os bracarenses, que quiserem desfrutar do centro da cidade, para os parques de estacionamento privados.

O centro histórico de Braga caminha a passos largos para a desertificação e o comércio tradicional sofre constantemente duros golpes. Depois da saída do Hospital de S. Marcos do centro da cidade, sem que houvesse qualquer preocupação de colmatar esta saída, a excessiva pedonização pode ser o golpe fatal.

Tirar a circulação automóvel das cidades é tirar delas as pessoas. As grandes cidades europeias e mundiais que tentam condicionar o acesso de carros aos centros históricos fazem-no pelo excesso de automóveis e de poluição. Outras, apenas fecham algumas ruas aos fim-de-semana. Em Braga faz-se o contrário e sem razão. Ou melhor: apenas porque Mesquita Machado considera que devemos ter a maior área pedonal da europa e porque, provavelmente, os parques de estacionamento ainda não estão suficientemente cheios.

E pior, fazem-se obras nas principais praças da cidade sem acautelar o património, destruindo tudo o que aparece à frente da voraz vontade de fazer obra. Este não pode ser o caminho. Braga precisa de ser pensada e discutida. Braga merece melhor. Mas a verdade é que os actuais protagonistas da gestão municipal estão demasiado preocupados com guerras internas para se preocuparem com a cidade.

Hugo Pires, vereador de Mesquita Machado, disse uma vez que a Capital Europeia da Juventude ia “dar mundo à malta”, como se os bracarenses fossem todos uns pacóvios… Agora percebo melhor as suas palavras. Aqui fica um conselho: depois de 2013, pegue em Mesquita Machado pela mão e leve-o a ganhar mundo; afinal vão ter muito tempo livre.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.