Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Pensar fora da caixa

A recuperação das aprendizagens

Conta o Leitor

2021-07-31 às 06h00

Escritor Escritor

Manuel C. Correia

Num daqueles dias em que a terra parece girar ao contrário, em que uma página em branco continua em branco, o escritor puxa pela cabeça e quase arranca num esforço de sair algo fora da caixa. Nada sai que valha a genialidade, apenas banalidades do senso comum. Mas ele quer algo diferente, algo que leve o mundo a conhecer o seu lado genial! Escreve e volta a escrever, apaga, escreve, lê e revê as ideias e continua a apagar tudo, e, a página fica branca, de tanto olhar para o ecrã, os seus olhos ficam cansados e acaba por mergulhar para lá do ecrã branco! Adormece sentado com as mãos na secretária e o rosto encostado ao ecrã, a luz entra no seu cérebro e sente a fusão de electrões com os seus neurónios. Um brilho intenso, e uma sensação de energia constante a rodopiar no seu cérebro, como um acelerador de partículas, sempre à procura de novas partículas, cada vez mais minúsculas. Números, imagens, palavras de todas as línguas, ideias constantes a uma velocidade da luz.
O coração a bater forte e acelerado, de repente acordou num sobressalto com o corpo banhado em suor, sentindo febre, de tal forma que ficou assustado e levantou-se para medir a temperatura corpo-ral.
O leitor digital 39.5! Estou doente! Vou ao médico, mas antes vou tomar um duche para baixar a temperatura. Com a água para o morno, depois mais para o frio, começou a sentir a temperatura a baixar. Saiu do duche e limpou-se, olhou para o espelho e ficou espantado com tamanha nitidez que via todos poros numa visão quase microscópica. Beliscou-se para se certificar se estava acordado, e deu um pequeno grito de dor, tal era o nível de sensibilidade! Voltou a medir a temperatura: 36.1, tudo normal, sentia uma força e uma vontade de fazer tudo depressa, com aquela adrenalina constante, um bem-estar como nunca tinha sentido. Vestiu-se no estilo casual, saiu de casa e foi tomar um café no centro da cidade, ao sair do parque de estacionamento um casal de Japoneses pediu uma informação num inglês arcaico, de tal forma que ele não os entendeu e perguntou em japonês o que queriam saber, o casal ficou espantado por alguém saber falar japonês pois é tão raro, ele respondeu que sabia porque era um autodidata.
O casal japonês acabou por agradecer a informação e desapareceu em direção ao seu destino. O escritor estava atónico com tamanho mistério o dele: primeiro a sua visão, depois falar japonês! O que viria a seguir?
Entrou no café e um grupo de estudantes de matemática estava a tentar resolver um problema matemático, um daqueles que levam horas, dias, meses e alguns anos sem serem resolvidos. Sentou-se e pediu um café e um copo de água, o empregado de pronto o serviu. O grupo de estudantes falava do problema matemático e um dos elementos já com a paciência no limite, acabou por dizer isto não tem solução e pegou na folha e atirou-a pelo ar caindo na mesa do escritor, que, de pronto disse, a solução é fácil, e num ápice resolveu o problema!
Os estudantes nem queriam acreditar, estavam há vários dias para resolver o problema e um desconhecido em poucos segundos resolveu-o! Enquanto os estudantes festejavam em euforia, o escritor desapareceu, ainda o procuraram para agradecer, mas já não o viram mais, desapareceu como se fosse vento que passa e não volta mais. Voltou para casa e no caminho ao passar numa zona de árvores e sem habitações, ouviu um gemido vindo de alguém em apuros. Entrou numa zona de arbustos e árvores de grande porte, continuou a andar e o gemido aumentava, já tinha andado mais de um quilômetro, e nada.
Por fim, depois de andar três quilômetros e pouco encontrou uma jovem deitada sobre a erva, num estado maltratado, quase inconsciente. Chamou os bombeiros e para seu espanto ficou a saber que ela afinal nem gemidos podia dar, tal era o seu estado! Regressou a casa e ligou a televisão, e as notícias eram sobre a jovem que tinha desaparecido há três dias, e um bombeiro falava de alguém que ouviu um gemido a três quilómetros, mas que isso era impossível, foi um milagre!
Os jornalistas procuraram saber quem foi o jovem, mas sem sucesso. Os dias foram passando e continuava com visão fora do comum, audição e raciocínio extremamente rápido. Todas as línguas que ouvia depressa as aprendia a falar e a escrever.
Aquela folha que estava em branco, passou a estar cheia de tudo um pouco. O mais complicado era viver num mundo em que raramente se pensa fora da caixa e por vezes pensar fora da caixa é ficar dentro dela!

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