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Pensar o futuro

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Pensar o futuro

Ideias

2021-09-17 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Por todo o país, a campanha autárquica corre mansa e desinteressante. A percentagem de recandidaturas é elevada; diversos estudos, um pouco por toda a Europa, confirmam que nestes casos os candidatos partem já com uma posição claramente vantajosa, na ordem do 15% à frente, a menos que tenham sido cometidos erros muito graves. Sublinham-se por isso áreas de intervenção autárquica dos quatro anos que agora terminam, ou até mesmo os resultados obtidos numa reviravolta dos media, voltando de novo aos grandes cartazes.

Noutros casos, noutras autarquias, imperaram guerras partidárias e egos inflamados, justificando candidaturas independentes - ainda que naturalmente alinhadas do ponto de vista pragmático com as linhas políticas orientadores até então. E mesmo nestes casos, pontuais na verdade, as campanhas autárquicas não se têm caracterizado por ideias, por políticas para o futuro, mas por ataques pessoais ou histórias de casos passados. Tudo isto contribui de facto para a mansidão e desinteresse, e vou temendo que os resultados eleitorais venham a ser marcados pelo abstencionismo crescente.
No meio disto, por vezes algumas notícias são curiosas e animam os dias; os cartazes no Seixal, partidários obviamente, parecem ficar a dever-se a um profissional do marketing um tanto mal informado. Parece que um desses cartazes, enorme, retratando Mao Tse Tung e troçando da tigela de arroz, alertava os cidadãos para o perigo de votarem outra vez nos comunistas, contribuindo assim para a desgraça do concelho. Pois é – a China, meus caros, ocupava em 2020 a posição de topo entre os países exportadores em todo o mundo, bem á frente dos Estados Unidos.

Em 2020, 14,7% das exportações globais contra 8,1% dos Estados Unidos, traduzindo uma subida meteórica desde a periferia do comércio mundial. E, sem grande margem de erro, seguramente o crescimento do comércio mundial continuará a ser mais forte a partir do Oriente. A importância da China como exportador de alta tecnologia tem vindo a tornar-se cada vez mais relevante, ainda que no contexto das cadeias de valor, das multinacionais que por lá desenvolvem parte mais ou menos significativa dos seus processos produtivos; desde 2002 que os Estados Unidos têm défice comercial com a China exatamente em produtos de alta tecnologia.
Os últimos rankings colocam em posição invejável diversas universidades chinesas, e muitos investigadores ocupam cada vez mais posições de topo nas publicações científicas mais exigentes, em diversas áreas. Dir-se-á que é também o resultado da lei dos grandes números: sim, certamente, mas quanto a isso não há nada a fazer. Quanto ao PIB per capita, ainda relativamente baixo, mantem uma trajetória consistente de crescimento contínuo desde as últimas décadas.

Por outro lado, a China lançou o mais exigente e desafiador programa de investimentos internacional dos tempos recentes, a Road and Belt Initiative, que poderá certamente contribuir para o desenvolvimento e crescimento económico de muitos países na Ásia, com feedback até na Europa, e que se poderá vir a traduzir num reposicionamento político em termos mundiais da China, questionando diretamente a atual hegemonia americana.
O mundo está a ficar cada vez mais complicado, as relações de trabalho estão a modificar-se, a inteligência artificial e a robotização dos processos produtivos vai lentamente ocupando mais espaço, os desafios climáticos adensam-se, o populismo cresce e diversifica-se em negacionismos diversos que reforçam o afastamento do pensamento científico e num desrespeito pelas instituições democráticas, os territórios urbanos ou rurais exigem novas soluções.

O sucesso da vacinação em Portugal mostra a importância de um pensamento estruturado e de uma organização eficiente. Está a chegar já um pacote financeiro cuja importância não pode ser minimizada; o impacto vai ser significativo, podendo traduzir-se num efeito multiplicador do PIB até 2033 de 3,01, de acordo com um estudo coordenado pela Faculdade de Economia do Porto.
O que queremos para as nossas cidades?
Qualidade de vida, certamente.

Na União Europeia, há experiências diferentes, mas casos como Viena entre muitas outras, mostram a importância da subsidização da habitação em áreas de alojamento municipal ou cooperativo e como permitiu a redução dos custos e até mesmo dos preços médios na cidade, induzindo maior procura por atividades culturais, e logo maior poder de atração de profissionais mais qualificados, atração de empresas e criação de emprego. Mais e melhores transportes públicos e cuidados de saúde, melhores escolas públicas e atividades educativas complementares e diversificadas, preocupação expressa com o ambiente, têm o mesmo tipo de efeitos. Cidades onde se vive melhor, pensadas para as pessoas, traduzindo naturalmente um reforço dos serviços públicos urbanos com a capacidade de induzir resultados positivos nas áreas envolventes.
Cidades onde se vive melhor são mais competitivas, atraem investimentos e aumentam a procura.
O futuro tem mesmo de ser pensado e discutido para não perder oportunidades.

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